segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Politiquices

Uma vez tive uma acesa discussão com um amigo, via SMS, por causa da política.

Ele acusava o Sócrates e toda a classe política por todas as nossas desgraças, mas eu discordei.

Entrámos então num autêntico debate político.

Ele lamentava que, por causa do Sócrates, este país estivesse como está.
Eu, sem querer defender o primeiro, dizia que ele não tinha culpa de tudo, porque o problema não é de agora.

Depois já falava do Soares e do que o Sr. poderia ter roubado ao Estado para a sua fortuna pessoal… e blá, blá, blá…

Eu respondi — e responderia de novo, porque é esta a minha opinião sobre o estado da política atual — que o maior problema não está nos políticos, mas em nós.

No povinho tuga.

Sabemos lamentar-nos e criticar os outros, mas não arregaçamos as mangas para lutar por um futuro melhor. Perdemos tempo a olhar para os erros alheios e, em vez de aprender com eles, limitamo-nos a dizer mal.

Assim não vamos longe.

Estamos sempre à espera de subsídios, donativos, esmolas… mas fazer algo para deixar de depender disso — não se faz.

Caramba!

Está bem que a classe política não cumpre como devia.
Mas… quem os elegeu?

Queríamos gente mais capaz?

Então, quando os nossos pais lutaram pelo 25 de Abril e conquistaram a liberdade política, cabia-nos continuar essa luta — participar, cuidar, valorizar essa conquista.

Mas não.

Agimos como quem recebe uma herança sem saber o seu valor…
e a estoura em pouco tempo.

É triste pensar nisto, porque, olhando para trás, vejo que — tal como muitos outros — também eu pouco fiz. Entrei no jogo do “faz como vês fazer”.

Mas está errado.

Deram-nos uma herança.
Devíamos saber geri-la.

Nada de lamentos fadados.
Nada de críticas destrutivas.

Comecemos por nos valorizar a nós próprios — e, por consequência, o nosso meio.

Será assim tão difícil voltar a acreditar que somos uma grande nação?

Por isso, hoje fui votar.

Não sei se bem…
mas votei.

E isso já é alguma coisa.

Agora, só tenho pena de que até para debater política com um amigo já seja por SMS — e eu também me juntei a isso.

Cada vez nos encontramos menos pessoalmente.

Tenho saudades de estar com o pessoal — de dar murros na mesa, de ver as expressões, de rir das nossas próprias patetices, de beber um copo juntos.

Andamos muito virtuais.

Um dia destes, nem para dormir com alguém vai ser preciso…
fazemos como num filme do Woody Allen: ligam-se uns fios à cabeça, entra-se numa cabine tipo duche e, passados cinco minutos, sai-se de lá satisfeito!

Já estamos quase assim…

2 comentários:

  1. Ás tantas o teu amigo nem foi votar e passou o dia de papo para o ar na praia ou noutro sitio qualquer , faltando assim ao seu dever civico que é de todos nós..

    ResponderEliminar
  2. Minha amiga, brilhante, concordo com tudinho o que disse. Eu já uma vez escrevi uma coisa parecida.Parabens.
    UM beijo

    ResponderEliminar