Uma manhã com a minha mãe.
Fomos às compras.
Ou melhor… ver montras.
Comprámos umas coisitas só para encher o ego, mas o que apetecia era comprar o centro comercial inteiro.
Consumistas!!!!!! ;P
Numa loja de roupa de criança, a minha mãe, enternecida ao ver roupinhas de menina (bebé), começou a dizer — como já disse tantas vezes — que eu tinha de tratar de lhe dar uma menina para ela vestir com aquelas coisas tão fofinhas.
Eu, sarcasticamente, respondi que podia comprar à vontade, que depois vestíamos o boneco careca que guardei da minha infância e que parece um autêntico bebé.
Fui um pouco brusca… mas ela já está habituada à filha que tem.
Mais à frente voltou ao assunto.
E eu respondi que estou velha para ter mais filhos.
Não que não me apetecesse… mas a vida não permite.
E, na verdade, já não estou para isso.
Mais uma vez fui dura.
Mas é um tema que me toca — e que me deixa desconfortável.
Então disse, quase sem pensar, como é meu costume:
— Um dia adopto uma menina.
E é verdade.
Para quê parir, se há tantas crianças abandonadas a precisar de alguém que lhes queira bem?
Às vezes acho até um acto egoísta querer colocar mais crianças no mundo quando há tantas à espera de uma oportunidade para serem amadas.
Li hoje no jornal que foi encontrado um bebé recém-nascido dentro de uma mala de viagem, junto a um contentor.
Que mãe é aquela?
Já que há quem não saiba amar, ao menos que haja quem queira aprender a amar os filhos dos outros como se fossem seus.
Confesso: se tivesse possibilidades, adoptaria uma ou duas crianças
e dar-lhes-ia todo o amor que elas aguentassem — tal como ao meu filho, que tanto amo.
Portanto, não me venham com tratamentos caríssimos de infertilidade, fecundações assistidas e outros métodos…
Respeito, é certo.
Mas também penso que, se cada casal que não consegue ter filhos adoptasse uma criança abandonada, as instituições não estariam tão cheias — e talvez não se falasse tanto em delinquência infantil.
É o que penso.
Uma verdade:::
ResponderEliminarBEIJOS