Vivemos numa época de extremos.
Do tudo ou nada.
Somos cada vez mais independentes — e mais desligados.
A evolução tem-nos tornado assim.
Na pré-história, vivíamos em grandes grupos — um instinto primário que nos mantinha em segurança e garantia a continuidade da espécie.
Ao longo da história, fomos alterando hábitos, mudando necessidades.
Dos grandes grupos passaram a existir famílias.
Das grandes casas de família surgiram núcleos mais pequenos: casais com dois ou três filhos, casais com um filho, casais com um cão ou um gato… famílias monoparentais… ou simplesmente a opção de ficar só.
Ser só, por vezes, parece ser a escolha mais sensata.
Ainda assim, a ideia de “família” continua profundamente enraizada em cada um de nós — e na sociedade em geral.
A evolução tem-nos tornado seres cada vez mais individuais.
E, se “ninguém é de ninguém”…
para quê o sentido de posse?
Para quê o sentido de família?
Para quê carregar responsabilidades por pessoas que se tornaram tóxicas na nossa vida?
Cada um evolui por si, nas suas próprias vivências, interpretando a vida à sua maneira.
Para quê seguir grupos, líderes, normas?
Nem todos evoluíram da mesma forma, é certo.
E, por vezes, parece até que a sociedade retrocedeu.
Manifesta-se em grandes massas embriagadas de futebol, religião ou política…
influenciadas pelos media, pelo espetáculo, pelos reality shows, pelo dinheiro — e, acima de tudo, pelo poder.
O poder de alguém que pensa por si mesmo…
e que, sozinho, consegue influenciar uma sociedade ainda marcada por instintos primários.
Sílvia Q. Sanches
Maio de 2016
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