Com os pés na areia surgem duvidas, reflexões, ideias... como grãos de areia. Sobre a areia viajo para onde a imaginação me leva. De pés na areia mantenho-me de pé... Caminho à beira deste mar, medito, escrevo e partilho ideias. Assim me vou descobrindo.
sábado, 30 de abril de 2016
Sou o que sou...
Sou despistada, teimosa, chata…
Umas vezes emotiva, muitas outras fria.
Difícil de aturar — nem eu me aturo.
Posso ser brusca, pouco assertiva, exigente.
Por vezes intolerante.
Impaciente.
Terei muitos outros defeitos dos quais não me recordo.
A falta de memória será mais um…
Mas, se não me aceitarem no pior do meu carácter,
seguramente não merecerão o melhor de mim.
Ao menos…
sei quem sou.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
"If I Fell"
Would you promise to be true
And help me understand
Cos I've been in love before
And I found that love was more
Than just holding hands
If I give my heart to you
I must be sure
From the very start
That you would love me more than her
If I trust in you oh please
Don't run and hide
If I love you too oh please
Don't hurt my pride like her
Cos I couldn't stand the pain
And I would be sad if our new love was in vain
So I hope you see that I
Would love to love you
And that she will cry
When she learns we are two
Cos I couldn't stand the pain
And I would be sad if our new love was in vain
So I hope you see that I
Would love to love you
And that she will cry
When she learns we are two
If I fell in love with you
Recordando o 25 de Abril
A musica do José Afonso fez parte da minha infância. Cresci a ouvir Zeca e ainda hoje me emociono quando o ouço.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Ao sabor da corrente
Umas vezes apressada, outras mais lenta e descontraída.
Num compasso marcado pelo calendário fiscal,
incapaz de abrandar… de relaxar.
Um relógio biológico que se apressa…
Uma agenda cheia de coisas (in)úteis.
O compasso de espera…
A pressa…
O receio da chegada…
Já tão longe da partida.
Sílvia Q. Sanches
Abril de 2016
sexta-feira, 15 de abril de 2016
A Vida
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés d'alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!
Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo donde vem!
A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...
Amar-te a vida inteira eu não podia...
A gente esquece sempre o bem dum dia.
Que queres, ó meu Amor, se é isto a Vida!...
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"
Perdi os Meus Fantásticos Castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!
Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Teorias
A vida é uma dúvida constante.
Acreditamos — ou guiamo-nos — por teorias de outros, cujas dúvidas os levaram a pensar.
Nada é certo.
São apenas teorias.
Desde a formação do Universo — cujas explicações são tantas — até à evolução das espécies…
Faz parte do ser humano querer saber, descobrir.
E é verdade que temos descoberto tanto através da partilha de informação e da troca de ideias.
Formaram-se correntes, linhas de pensamento, e cada um segue aquela com que mais se identifica.
Reais ou não, são as bases onde nos sustentamos —
e onde cada ser se forma, diferente de qualquer outro.
Somos únicos.
Matrizes cujos moldes nunca serão reutilizados.
Mesmo que sejamos clonados, nem esses clones pensarão da mesma forma que nós.
Cada ser é um só —
com as suas próprias dúvidas,
as suas certezas,
as suas teorias.
Sílvia Q. Sanches
Abril de 2016
