Mostrar mensagens com a etiqueta o estado a que chegámos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta o estado a que chegámos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 14 de junho de 2016

Com Papas e Golos se entretêm os tolos

Voltámos a épocas passadas. Épocas em que se mantinha o povo distraído com futebol, fado e religião para enganar a fome e mascarar a miséria em que se vivia.

Nada tenho contra a religião. Respeito a convicção de cada um, assim como gosto que respeitem a minha. O que me entristece é que, com tanta evolução, a fórmula continua exatamente a mesma — um bocadinho mais refinada, mas exatamente a mesma.

Enquanto o povinho tem estado ocupado a olhar para o Papa, com direito a “feriado” em vários sectores, vão metendo a mão no bolso de quem menos ganha. Porque não são os grandes gestores e a classe política, que contribuíram maioritariamente para o estado em que se encontra a nossa economia, que vão sentir o aperto do cinto.

O povinho que não sabe mais do que trabalhar e pagar para poder trabalhar é que continua a pagar, pagar, pagar…

Bem, isto parece um discurso de esquerda — podia até ser. Mas, tal como na religião, não gosto de tomar partidos. Trata-se simplesmente do lamento de quem se sente cada vez mais espezinhado pelo sistema.

É triste a forma como a classe que mais produz é tratada. Mas vai-se embebedando a populaça, que esquece depressa e até as calças baixa, se for preciso.

O povinho entretido com o Papa e os festejos de Fátima não percebe que se gastaram 750 milhões de euros para receber o velho homem. Grandeza tal que até faz corar alguém um pouco mais atento — não sei se de raiva, de desespero ou mesmo de vergonha.

Ao mesmo tempo, sabe-se que no final do ano os subsídios de Natal estarão comprometidos com cortes significativos como contributo no combate à crise; que o IVA vai aumentar, encarecendo bens alimentares e medicamentos; que o IRS sobe e com menos benefícios; que os ordenados estão congelados por tempo indeterminado; que os combustíveis aumentam mesmo com o petróleo a baixar…

Mas pior ainda é quando se sabe que o país vai ajudar a irmã Grécia e que, para tal, vai ter de pedir dinheiro emprestado. Isto então é de gritos.

De gritos é também assistir a uma euforia exacerbada com o futebol e as vitórias de um qualquer clube, ao mesmo tempo que reina o desinteresse pelo estado em que nos encontramos.

Temo que se desloquem mais pessoas aos estádios ou aos locais onde transmitem futebol do que às mesas de voto nas eleições.

É triste ver que o povinho se vai deixando levar pela maré e que, mesmo a avizinhar-se a tempestade do século, continua impávido e sereno, brincando nas ondas cada vez mais altas, como se nada estivesse em perigo.

A embriaguez do futebol é tamanha que o resto passa despercebido… e o povo fica feliz.

Enfim, a Roma antiga dava circo e pão ao seu povo.

Nós temos Papa e golos.

É uma alegria!

Sílvia Q. Sanches
Maio de 2010

domingo, 16 de março de 2014

Pequenos gestos

É impressionante a quantidade de lixo que dá à costa. Plásticos, então, são cerca de 90% do lixo que se acumula na areia.

Enquanto apanhamos algum desse lixo fazemos também exercício físico, além de contribuir com 0,000001% para a limpeza da praia… mas 200% para a limpeza do espírito.

Uma caminhada pela praia pode ser agradável e, ao mesmo tempo, produtiva. Além de respirar o ar do mar e caminhar sobre a areia, podemos fazer algum exercício ao apanhar pequenas tampinhas de plástico que dão à costa, tal como se apanha uma conchinha.

Encher um saco de pequenos pedaços de plástico poderá contribuir para a felicidade de alguém e ajudará, ainda que muito pouco, a evitar mais lixo no fundo do mar e nas praias.

Faça o mesmo, nem que seja uma vez.

Vamos ajudar-nos, ajudando.

Influencie amigos e familiares.

Sílvia Q. Sanches
Março de 2014



domingo, 14 de junho de 2009

Ser Tuga

Ser português é…

Levar arroz de frango para a praia.

Guardar as cuecas velhas para polir o carro.

Lavar o carro na rua, ao domingo.

Ter pelo menos duas camisas “traficadas” da Lacoste e da Tommy (amarelo-canário e azul-cueca).

Passar o domingo no shopping.

Tirar a cera dos ouvidos com a chave do carro ou com a tampa da esferográfica.

Ter bigode.

Viajar para o cu de Judas e encontrar outro tuga no restaurante.

Receber visitas e mostrar a casa toda.

Enfeitar as estantes da sala com os presentes do casamento.

Exigir que lhe chamem “Doutor”.

Exigir que o tratem por Sr. Engenheiro.

Assassinar o português ao escrever.

Gastar 50 mil euros num Mercedes C220 CDI, mas não comprar o kit mãos-livres porque “é caro”.

Já ter “ido à bruxa”.

Ter os filhos batizados e na catequese, mas nunca pôr os pés na igreja.

Não ser racista… mas abrir exceção com os ciganos.

Ir de carro para todo o lado — mesmo que seja a 500 metros de casa.

Conduzir sempre pela faixa da esquerda da autoestrada (a da direita é para os camiões).

Cometer três infrações ao código da estrada por quilómetro percorrido.

Ter três telemóveis.

Gastar uma fortuna no telemóvel, mas pensar duas vezes antes de ir ao dentista.

Ir à bola, comprar bilhete para a “geral” e saltar para a “central”.

Viver em casa dos pais até aos 30 anos ou mais.

Ser mal atendido, ficar lixado da vida, mas não reclamar por escrito “para não se chatear”.

Falar mal do Governo eleito e esquecer-se que votou nele.

Pendurar a bandeira portuguesa na janela durante o Euro… e tirá-la logo a seguir porque “é foleiro”.


Viva Portugal, carago…