Um dia destes chamaram-me a atenção para a coerência.
Disseram-me que é preciso coerência nos actos e no que se diz. Que eu, por vezes, sou incoerente.
Fiquei a pensar nisso.
E continuei a pensar até hoje.
Resolvi então esmiuçar a palavra, tentar perceber melhor a acusação — que, à partida, me pareceu injusta.
Fui ao dicionário.
Coerência:
ligação ou harmonia entre ideias; lógica; conexão.
Regularidade no modo de agir, de sentir.
Coerente: aquele que age com coerência.
E comecei a questionar-me.
Será incoerência querer evitar conflitos e provocações, mesmo em situações semelhantes?
Será incoerência deixar claro que não gosto de ser manipulada?
Será incoerência afastar-me de algo que só traria dor — sobretudo a quem mais prezo?
Talvez.
Talvez não tenha sido coerente comigo própria quando acreditei que podia transformar uma ilusão em realidade.
Ou quando me deixei levar por mentes mais hábeis que, por momentos, me desviaram da minha essência.
Mas mudar de opinião será assim tão grave?
No meu entender, não.
Mudar é, muitas vezes, evoluir.
Se assim não fosse, também a ciência seria incoerente.
Também a língua mudaria sem razão.
Ou estarei eu, neste raciocínio, a cometer outra incoerência?
Há, no entanto, algo de que me orgulho:
ser coerente com a minha liberdade.
Não deixo que me privem de pensar como penso.
Sou complexa — é verdade.
Mas quem me conhece sabe que procuro relações simples:
amizades sem interesse,
laços onde a harmonia acontece sem esforço.
Sou lírica, eu sei.
Se isso é ser incoerente, então talvez seja.
Mas há uma coisa em que acredito:
se é para ser coerente,
que seja, antes de tudo, comigo própria —
e com aqueles que quero ver bem.
“Mudar não é incoerência. É, muitas vezes, evolução.”
palavras para que?
ResponderEliminartu disseste tudo :)
beijinhos