Bonecas dentro de caixas, só na loja.
Quando era pequena, lembro-me de amigas que tinham bonecas lindas dentro das caixas, ali, a decorar o quarto. Nem podiam brincar com elas.
Assim são essas Barbies da vida.
Lindas, maravilhosas, glamorosas, intocáveis nas suas torres de Babel. Quando um dia saírem da “caixa”, se saírem, serão como as outras: as unhas descascam, os cabelos brilhantes desbotam e encrespam, os corpos deformam-se e as lindas tattoos ou piercings perdem a graça.
Podem sempre optar por continuar bonecas — aquelas que agradam a maridos que gostam de exibir troféus que o dinheiro compra. Ainda há quem prefira ter a boneca em casa, qual Barbie na sua casinha encantada.
Mais tarde ou mais cedo, o brilho apaga-se.
Assim sendo, se é para brincar, que seja como uma boneca de trapos: simples, sem glamour, mas cheia de conteúdo.
O melhor da vida é o que se vive sem mostrar.