Com os pés na areia surgem duvidas, reflexões, ideias... como grãos de areia. Sobre a areia viajo para onde a imaginação me leva. De pés na areia mantenho-me de pé... Caminho à beira deste mar, medito, escrevo e partilho ideias. Assim me vou descobrindo.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Metamorfose
O tempo tem passado e eu crescido com ele — não ao ritmo dos outros, mas ao meu.
Todos os que, de alguma forma, têm feito parte da minha vida são como flores num prado colorido. Uns bem-me-querem, outros mal-me-querem, outros pouco e outros nada.
Todos contribuíram para o meu crescimento, assim como eu contribuí para o de outros.
Fazemos parte de uma paisagem complexa em que cada elemento é único e que, no conjunto, forma um todo.
Todos diferentes, todos iguais e sempre em metamorfose.
É num prado verdejante que me sinto a voar feliz contra o vento… e a cada dia num voo mais longo, mais perfeito.
Sílvia Q. Sanches
23 de julho de 2013
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Raízes...
O meu lugar é aqui.
Enraizada neste mundo, neste espaço…
Rodeada de flores, aves, esquilos…
Umas vezes nua, outras vestida…
Soprada pelo vento, banhada pela chuva…
O sol e a lua.
Os cânticos dos que pousam e voam.
As marcas dos que em mim habitam.
O pólen das que me rodeiam.
Aqui estou.
Daqui não saio.
Sílvia Sanches
2014
terça-feira, 14 de junho de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
sábado, 28 de maio de 2016
sexta-feira, 20 de maio de 2016
terça-feira, 3 de maio de 2016
Eutanásia
Quando se chega ao final da vida sem qualquer tipo de mobilidade, incapaz de comer pela própria mão ou de fazer uma qualquer das atividades da vida diária (AVD): levantar-se, lavar os dentes, vestir-se sozinho, etc… não há qualquer motivo para se permanecer a vegetar no leito de uma cama, literalmente a apodrecer. Todos temos direito a uma vida e morte digna.
Se a situação for irreversível para quê viver com o auxílio de máquinas?
A maioria da classe médica rege-se, essencialmente, pela saúde do doente o respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início e em não fazer uso dos conhecimentos médicos contra as leis da Humanidade, esquecendo que também que deve zelar pela dignidade do doente e acabar com a má qualidade de vida.
Desligar as máquinas que mantêm aqueles que se encontram em morte cerebral poderá provocar sofrimento, ainda que por pouco tempo e do ponto de vista religioso é considerado usurpação do direito à vida humana, afinal, todos temos direito à vida. É necessário o consentimento do interessado e por vezes isso não acontece mas desde que não haja qualquer esperança de vida, na minha opinião, deve ouvir-se o apelo do bom senso e não deixar que o capricho da ciência se sobreponha ao verdadeiro sentido da vida. Não havendo esperança de vida, a ciência deve sim, proporcionar uma morte digna e não um prolongar do sofrimento tanto do doente como de quem o rodeia.
A legislação também não ajuda, aquele que de alguma forma ajudar um doente a acabar com o seu sofrimento, poderá ser condenado por homicídio.
A eutanásia passou da simples lei do mais forte à capacidade de compreender o sofrimento alheio em que facto de ninguém ser igual a ninguém e haver diferentes formas de encarar a morte tem tornado este tema tão polémico.
Sou a favor da eutanásia desde que a condição do doente (velho, adulto ou criança), seja bem avaliada e não haja qualquer esperança de vida digna.
Sílvia Q. Sanches - Dez 2013
sábado, 30 de abril de 2016
Sou o que sou...
Sou despistada, teimosa, chata…
Umas vezes emotiva, muitas outras fria.
Difícil de aturar — nem eu me aturo.
Posso ser brusca, pouco assertiva, exigente.
Por vezes intolerante.
Impaciente.
Terei muitos outros defeitos dos quais não me recordo.
A falta de memória será mais um…
Mas, se não me aceitarem no pior do meu carácter,
seguramente não merecerão o melhor de mim.
Ao menos…
sei quem sou.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Ao sabor da corrente
Num compasso marcado pelo calendário fiscal, incapaz de abrandar. de relaxar...
Um relógio biológico que se apressa...
Uma agenda cheia de coisas (in)úteis.
O compasso de espera...
A pressa...
O receio da chegada...
Já tão longe da partida.
Sílvia. Q. Sanches Abril 2016
sábado, 12 de março de 2016
Momentos
Eu diria antes, que "o corpo envelhece e alma rejuvenesce..."
Mas...
Há momentos que tenho de me afastar.
Afasto-me para não magoar...
Cresço ao meu ritmo, isolada em multidões.
Crio expectativas e cobro-as... a quem não sabe o que realmente espero.
Na verdade nem eu sei o que me espera!
Mas é bom ser surpreendida. Por vezes do nada. De onde menos se espera!
É bom...
Rejuvenesce a alma.
Sílvia Queirós Sanches - Março 2016
domingo, 6 de março de 2016
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
O estranho caso do Ser e do Ter
Unidos à nascença.
Amigos inseparáveis.
Ser, filho pródigo de boas famílias, amado e superprotegido, porém inseguro, medroso, libertino e mal compreendido pela sociedade.
Ter, quase nado-morto, reanimado no último momento, de condição humilde, habituado a transformar fraquezas em forças, conquistador de pequenas batalhas, bem aceite socialmente.
Não vivem um sem o outro.
Embora discordem frequentemente.
Não sabem é que ocupam os lugares errados.
Ser, mais forte do que julga, vê-se diminuído pelas normas sociais criadas por outros Ters. Ainda assim, influencia Ter a tornar-se forte — tão forte que o próprio Ser se esquece de si mesmo e do que o move.
Ter, mesmo sabendo que pode sucumbir a qualquer momento, sente-se forte. As suas conquistas tornam-no sólido aos olhos dos outros. Mas, sem Ser, Ter não é ninguém — e não sobrevive por muito tempo.
Ser, com tempo, pode ganhar confiança e continuar a ajudar Ter.
Numa união sã, será apenas uma questão de equilíbrio.
Ter terá de ceder.
E Ser terá de se impor.
Sílvia Q. Sanches
Janeiro de 2016
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Casulo
Quando se chega a uma idade em que já pouco mais há para descobrir do mundo que se conhece…
Quando já nem há paciência para apreciar os pequenos pormenores, caindo-se no isolamento — talvez do próprio conhecimento…
No egocentrismo, por assim dizer.
E o egocentrismo não tem de ser, necessariamente, algo negativo.
O autoconhecimento é necessário, e uma pitada de egoísmo faz parte da lista de condimentos para um bom “cozinhado” pessoal.
Viver a vida a agradar os outros, mostrando que se é valente, capaz de ultrapassar obstáculos, resolvendo os problemas alheios e, ainda assim, sem conseguir alcançar o sentimento mais profundo de si mesmo… é triste.
É morrer aos poucos.
É como viver numa casca, num casulo, sem nunca desabrochar.
Há momentos para tudo.
E, por mais perfeccionismo que exista, há sempre algo que pode correr mal.
O inesperado.
E o castelo de cartas desmorona-se…
Seria maravilhoso um mundo perfeito.
Mas a perfeição não existe.
E o entendimento… é utópico.
Sílvia Q. Sanches
Novembro de 2015
sábado, 8 de agosto de 2015
com tudo e sem nada...
Saber viver só.
Não precisar de ninguém para ser alguém!
Procuro a cada instante, em qualquer canto... nunca me encontro.
Nada vejo, e a cada momento me desiludo.
Com ninguém em especial. É mesmo comigo!
A eterna insatisfação de quem nada falta mas nada satisfaz.
Não vejo nada.
Qual criança pobre sedenta do conforto que nunca terá.
Qual velha saudosa daquilo que nunca teve.
sábado, 14 de março de 2015
Sair de cena
A longa-metragem, tipicamente portuguesa, corre o risco de se tornar uma infinita metragem, com cenas demasiadamente longas e falas à medida do curto orçamento.
A monótona e sensaborona história pode até ser considerada uma obra de arte.
Alguns aplaudem, outros copiam… há até quem inveje o que julga ver.
Na verdade, ninguém assiste à totalidade do filme.
Tornou-se socialmente correto apreciar histórias longas, cada vez mais raras. O que escasseia torna-se valioso aos olhos da sociedade, mesmo que a história seja incompreensível.
As expectativas elevam-se, o realizador perde a imaginação, ao guionista faltam as palavras e o elenco perde a cumplicidade.
A película não comporta muito mais e há que acabar com a história.
O dilema é como acabar.
Queima-se viva a protagonista, desvendando-lhe os atos de bruxaria?
Enviá-la para o desterro, deserdada de tudo e de todos?
Morrerá heroicamente numa batalha campal ou partirá numa fuga inglória, desaparecendo na neblina para todo o sempre?
O público já dorme, aguardando um final feliz…
Mas há que chocar, marcar pela diferença e sair de cena sem perder o protagonismo.
Sílvia Q. Sanches
Março de 2015















