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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Do querer ao poder...



(2016)

Quero tudo e nada.

Não vivo o que pedi…
Vivo o que tem sido possível.
O que pediram por mim.

Quero viver,
quero ser,
quero ter…

Mas quero apenas o que pedi,
não o que me querem dar.

Ingrata?

Talvez…

Só quero ser eu.

Posso?

Sílvia Q. Sanches

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Metamorfose

O tempo tem passado e eu crescido com ele — não ao ritmo dos outros, mas ao meu.

Todos os que, de alguma forma, têm feito parte da minha vida são como flores num prado colorido. Uns bem-me-querem, outros mal-me-querem, outros pouco e outros nada.

Todos contribuíram para o meu crescimento, assim como eu contribuí para o de outros.

Fazemos parte de uma paisagem complexa em que cada elemento é único e que, no conjunto, forma um todo.

Todos diferentes, todos iguais e sempre em metamorfose.

É num prado verdejante que me sinto a voar feliz contra o vento… e a cada dia num voo mais longo, mais perfeito.

Sílvia Q. Sanches
23 de julho de 2013


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Para crescer...



Não basta plantar...

Há que regar..

cuidar...



Sílvia.Q. Sanches -  fevereiro 2015


Raízes...

O meu lugar é aqui.

Enraizada neste mundo, neste espaço…

Rodeada de flores, aves, esquilos…

Umas vezes nua, outras vestida…

Soprada pelo vento, banhada pela chuva…

O sol e a lua.

Os cânticos dos que pousam e voam.

As marcas dos que em mim habitam.

O pólen das que me rodeiam.

Aqui estou.

Daqui não saio.

Sílvia Sanches
2014


Espirito livre


Os espíritos livres não são totalmente livres.

Liberdade total não existe.

Tropeça-se sempre nos grilhões da moral, da sociedade, do bom senso…

Sílvia Q. Sanches
Abril de 2015




O primeiro dia de muitos primeiros últimos dias


“Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…” — assim diz a canção.

O primeiro de muitos… ou de poucos. Nem se sabe.

Cada dia é um dia.

Mais um de tantos já vividos e muitos mais sobrevividos.

Uma vida a saber a pouco…

quase nada,

cheia de nada.

Sílvia Q. Sanches
Julho de 2015



terça-feira, 14 de junho de 2016

Teatro da vida


"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche"

CHAPLIN

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Conversar

Na verdade não falamos com os outros.
Falamos sim, com nós próprios.
Em contrapartida ouvir o próximo é ouvir a própria consciência.
Conversar, portanto é uma forma de auto-conhecimento.
E há sempre tanto por descobrir!

Sílvia Q. Sanches  - Jan 2016
                                                                                                                                                     imagem retirada da Net

sábado, 28 de maio de 2016

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Expectativas



Talvez as pessoas não me decepcionem.  O problema talvez seja eu, que espero muito delas.
Bob Marley

terça-feira, 3 de maio de 2016

Eutanásia

Foi como profissional de saúde que testemunhei histórias de sofrimento. Assisti a momentos de profunda angústia perante a uma vida desgastada e uma morte que tardava em chegar. Situações em que, mesmo com todo o conforto e cuidados de saúde, os idosos pediam que os ajudassem a acabarem com aquele sofrimento. O medo de se tornarem um fardo para aqueles que o rodeavam estava presente a todo o momento e o direito à autodeterminação e liberdade de escolha era-lhes negado.
Quando se chega ao final da vida sem qualquer tipo de mobilidade, incapaz de comer pela própria mão ou de fazer uma qualquer das atividades da vida diária (AVD): levantar-se, lavar os dentes, vestir-se sozinho, etc… não há qualquer motivo para se permanecer a vegetar no leito de uma cama, literalmente a apodrecer. Todos temos direito a uma vida e morte digna.
Se a situação for irreversível para quê viver com o auxílio de máquinas?
 A maioria da classe médica rege-se, essencialmente, pela saúde do doente o respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início e em não fazer uso dos conhecimentos médicos contra as leis da Humanidade, esquecendo que também que deve zelar pela dignidade do doente e acabar com a má qualidade de vida.
Desligar as máquinas que mantêm aqueles que se encontram em morte cerebral poderá provocar sofrimento, ainda que por pouco tempo e do ponto de vista religioso é considerado usurpação do direito à vida humana, afinal, todos temos direito à vida. É necessário o consentimento do interessado e por vezes isso não acontece mas desde que não haja qualquer esperança de vida, na minha opinião, deve ouvir-se o apelo do bom senso e não deixar que o capricho da ciência se sobreponha ao verdadeiro sentido da vida. Não havendo esperança de vida, a ciência deve sim, proporcionar uma morte digna e não um prolongar do sofrimento tanto do doente como de quem o rodeia.
A legislação também não ajuda, aquele que de alguma forma ajudar um doente a acabar com o seu sofrimento, poderá ser condenado por homicídio.
A eutanásia passou da simples lei do mais forte à capacidade de compreender o sofrimento alheio em que facto de ninguém ser igual a ninguém e haver diferentes formas de encarar a morte tem tornado este tema tão polémico.
Sou a favor da eutanásia desde que a condição do doente (velho, adulto ou criança), seja bem avaliada e não haja qualquer esperança de vida digna.

Sílvia Q. Sanches - Dez 2013 

sábado, 30 de abril de 2016

Sou o que sou...

Sou despistada, teimosa, chata…
Umas vezes emotiva, muitas outras fria.
Difícil de aturar — nem eu me aturo.

Posso ser brusca, pouco assertiva, exigente.
Por vezes intolerante.
Impaciente.

Terei muitos outros defeitos dos quais não me recordo.
A falta de memória será mais um…

Mas, se não me aceitarem no pior do meu carácter,
seguramente não merecerão o melhor de mim.

Ao menos…
sei quem sou.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ao sabor da corrente

Umas  apressada, outras mais lenta e descontraída.

Num compasso marcado pelo calendário fiscal, incapaz de abrandar. de relaxar...

Um relógio biológico  que se apressa...

Uma agenda cheia de coisas (in)úteis.

O compasso de espera...

A pressa...

O receio da chegada...

Já tão longe da partida.




Sílvia.  Q. Sanches Abril 2016

sábado, 12 de março de 2016

Momentos

"A vida passa tão depressa que, às vezes, a alma não tem tempo de envelhecer..."

Eu diria antes, que "o corpo envelhece e alma rejuvenesce..."
Mas...
Há momentos que tenho de me afastar.
Afasto-me para não magoar...
Cresço ao meu ritmo, isolada em multidões.
Crio expectativas e cobro-as... a quem não sabe o que realmente espero.
Na verdade nem eu sei o que me espera!
Mas é bom ser surpreendida. Por vezes do nada. De onde menos se espera!
É bom...
Rejuvenesce a alma.

Sílvia Queirós Sanches - Março 2016
imagem retirada da Internet

domingo, 6 de março de 2016

Para ser feliz...

                                              imagem recolhida da Internet 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O estranho caso do Ser e do Ter

 Unidos à nascença.

Amigos inseparáveis.

Ser, filho pródigo de boas famílias, amado e superprotegido, porém inseguro, medroso, libertino e mal compreendido pela sociedade.

Ter, quase nado-morto, reanimado no último momento, de condição humilde, habituado a transformar fraquezas em forças, conquistador de pequenas batalhas, bem aceite socialmente.

Não vivem um sem o outro.
Embora discordem frequentemente.

Não sabem é que ocupam os lugares errados.

Ser, mais forte do que julga, vê-se diminuído pelas normas sociais criadas por outros Ters. Ainda assim, influencia Ter a tornar-se forte — tão forte que o próprio Ser se esquece de si mesmo e do que o move.

Ter, mesmo sabendo que pode sucumbir a qualquer momento, sente-se forte. As suas conquistas tornam-no sólido aos olhos dos outros. Mas, sem Ser, Ter não é ninguém — e não sobrevive por muito tempo.

Ser, com tempo, pode ganhar confiança e continuar a ajudar Ter.

Numa união sã, será apenas uma questão de equilíbrio.

Ter terá de ceder.
E Ser terá de se impor.

Sílvia Q. Sanches
Janeiro de 2016

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Casulo


Quando se chega a uma idade em que já pouco mais há para descobrir do mundo que se conhece…
Quando já nem há paciência para apreciar os pequenos pormenores, caindo-se no isolamento — talvez do próprio conhecimento…
No egocentrismo, por assim dizer.

E o egocentrismo não tem de ser, necessariamente, algo negativo.
O autoconhecimento é necessário, e uma pitada de egoísmo faz parte da lista de condimentos para um bom “cozinhado” pessoal.

Viver a vida a agradar os outros, mostrando que se é valente, capaz de ultrapassar obstáculos, resolvendo os problemas alheios e, ainda assim, sem conseguir alcançar o sentimento mais profundo de si mesmo… é triste.

É morrer aos poucos.

É como viver numa casca, num casulo, sem nunca desabrochar.

Há momentos para tudo.
E, por mais perfeccionismo que exista, há sempre algo que pode correr mal.

O inesperado.

E o castelo de cartas desmorona-se…

Seria maravilhoso um mundo perfeito.

Mas a perfeição não existe.
E o entendimento… é utópico.

Sílvia Q. Sanches
Novembro de 2015


imagem retirada da Net

sábado, 8 de agosto de 2015

com tudo e sem nada...

Gostava de ser diferente.

Saber viver só.

Não precisar de ninguém para ser alguém!

Procuro a cada instante, em qualquer canto... nunca me encontro.

Nada vejo, e a cada momento me desiludo.

Com ninguém em especial. É mesmo comigo!

A eterna insatisfação de quem nada falta mas nada satisfaz.

Não vejo nada.

Qual criança pobre sedenta do conforto que nunca terá.

Qual velha saudosa daquilo que nunca teve.




sábado, 14 de março de 2015

Sair de cena

A longa-metragem, tipicamente portuguesa, corre o risco de se tornar uma infinita metragem, com cenas demasiadamente longas e falas à medida do curto orçamento.

A monótona e sensaborona história pode até ser considerada uma obra de arte.

Alguns aplaudem, outros copiam… há até quem inveje o que julga ver.

Na verdade, ninguém assiste à totalidade do filme.

Tornou-se socialmente correto apreciar histórias longas, cada vez mais raras. O que escasseia torna-se valioso aos olhos da sociedade, mesmo que a história seja incompreensível.

As expectativas elevam-se, o realizador perde a imaginação, ao guionista faltam as palavras e o elenco perde a cumplicidade.

A película não comporta muito mais e há que acabar com a história.

O dilema é como acabar.

Queima-se viva a protagonista, desvendando-lhe os atos de bruxaria?

Enviá-la para o desterro, deserdada de tudo e de todos?

Morrerá heroicamente numa batalha campal ou partirá numa fuga inglória, desaparecendo na neblina para todo o sempre?

O público já dorme, aguardando um final feliz…

Mas há que chocar, marcar pela diferença e sair de cena sem perder o protagonismo.

Sílvia Q. Sanches
Março de 2015