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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Coisas Simples

Para sentir genuinamente a felicidade não preciso de grande coisa. Preciso apenas saber desfrutar dos pequenos momentos.

Uma boa conversa, um aconchego, uma música agradável… e, no dia a dia, viver sem percalços, com estabilidade, segura, com o que realmente importa.

Não é um armário cheio de roupa que traz felicidade. Muito menos carros, casas, sapatos à dúzia.

Não é comprar a máquina XPTO só porque sim, se já temos uma que serve para o mesmo. Trocar de mala para combinar com os sapatos, com os brincos ou com as cuecas. Encher gavetas de tretas que nunca terão serventia. Gastar apenas porque sim…

Casa cheia, mente vazia.

A felicidade está na simplicidade, na criatividade. Quando com a velha panela se faz a receita que todos fazem no mais moderno robot de cozinha.

Transformar o velho casaco da avó num acessório de destaque. Pegar num lápis e expressar o que vai na alma.

Ou simplesmente beber um copo de vinho, ouvir aquela música, dançar… cantar…

Coisas simples.

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Raízes...

O meu lugar é aqui.

Enraizada neste mundo, neste espaço…

Rodeada de flores, aves, esquilos…

Umas vezes nua, outras vestida…

Soprada pelo vento, banhada pela chuva…

O sol e a lua.

Os cânticos dos que pousam e voam.

As marcas dos que em mim habitam.

O pólen das que me rodeiam.

Aqui estou.

Daqui não saio.

Sílvia Sanches
2014


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Conversar

Na verdade não falamos com os outros.
Falamos sim, com nós próprios.
Em contrapartida ouvir o próximo é ouvir a própria consciência.
Conversar, portanto é uma forma de auto-conhecimento.
E há sempre tanto por descobrir!

Sílvia Q. Sanches  - Jan 2016
                                                                                                                                                     imagem retirada da Net

domingo, 29 de maio de 2016

As Laranjas da "Ti Estrudes"


Algumas das memórias mais vincadas da minha infância estão ligadas a uma tia carismática que vivia em Santarém. Gertrudes de seu nome, mais conhecida por “Ti Estrudes”.

Vivi a infância convencida de que “Tiestrudes” era um nome próprio, de tal forma que sempre me dirigia a ela assim:
— A tia Tiestrudes… a tia das laranjas!

Casa de campo modesta, construída pelo marido — avarento, que de simpatia e bondade nada devia ao divino —, paredes finas e chão de cimento colorido. Uma casa de banho sem banheira, outrora exterior, ligada à casa por uma sala acrescentada ao longo dos anos, onde a família se juntava.

Todos se atropelavam para se sentar no velho banco de camião — o único e “sofisticadíssimo” sofá de couro que existia na casa — mesmo ao lado da chaminé de chão, onde repousava um fogão de lenha em esmalte branco.

No fogão que aquecia a casa fervia uma panela de ferro, onde a Tiestrudes ia acrescentando os ingredientes secretos de uma sopa mágica, da qual ainda guardo o sabor… mas que nunca mais saboreei.

A pandega tia — baixa, redondinha, com a sua longa trança preta enrolada em carrapito, artisticamente presa com ganchos de tartaruga — recebia como ninguém: entre anedotas, graçolas, credos, “traques” disfarçados com o arrastar de bancos e histórias de família.

Qual fada madrinha da Cinderela, cheia de truques e magia.
Qual bruxinha do bem, cuja casa, cheia de cantos e recantos, escondia tantos mistérios.

O relógio de cuco tocava todas as horas, compassadas pelo tique-taque constante, marcando o tempo interminável que ali se vivia — naquele autêntico lugar de culto.

Obrigatória era a visita ao quarto dos santinhos, onde uma grande cómoda servia de altar: a Nossa Senhora rodeada por um presépio de figuras de todas as “qualidades” e fotografias de sobrinhos, irmãos, amigos e conhecidos.

A Tiestrudes era conhecida pelos seus dotes curandeiros e rezava diariamente aos seus santinhos pelo bem de todos os que lhe pediam ajuda.

O cheiro a azeite das lamparinas misturava-se com o das tijelas com água, onde observava, através de gotas de azeite, se a vida de cada um corria bem… ou não.

O momento alto chegava com a ligação da santinha à tomada da velha instalação elétrica: acendiam-se luzes coloridas e ouvia-se o som agudo da música dos pastorinhos.

A hora de dormir era um acontecimento.

Abrir e fechar de gavetas e baús, de onde surgiam lençóis de linho e cobertores de “papa” que picavam. As camas — mais estreitas do que as de minha casa — eram feitas com todo o esmero, num ritual de bem receber tão próprio daquela amorosa tia.

Dormir num quarto de anexo era sempre uma aventura. Especialmente pela madrugada, quando se acordava com os primeiros raios de sol — ao som do galo e dos melros.

O cheiro das laranjeiras, que cobriam o alpendre, entrava pela janela de vidros martelados, encaixados numa quadrícula de ferro pintada de verde.

As laranjas da Tiestrudes eram especiais.

Apanhava-se um cesto delas — grandes, sujas de um pó preto que nos mascarava. Eram escolhidas uma a uma, de preferência com filhos… porque a “menina” gostava!

À mesa, a minha mãe, num toque de magia, cortava da casca da laranja uns óculos que eu ostentava divertidamente.

Há memórias que ficam pelos sentidos que despertam.

O cheiro inesquecível das laranjas, o calor do fogão de lenha, o sofá feito de banco de camião…
olhar o mundo através de óculos de casca de laranja, ao som do crepitar do lume…

São memórias que não mais esqueço.

Onde quer que esteja — provavelmente ao lado dos seus santinhos — sei que a saudosa Tiestrudes continua, com a mão no peito e a sua gargalhada tão envolvente.

“Avé laranjas da Tiestrudes!”

Sílvia Q. Sanches
29 de maio de 2016


sábado, 30 de janeiro de 2016

Bola de sabão



Um dia, faço uma bola de sabão gigante e voo com ela até ao mundo das mentes lavadinhas e cheirosinhas!

Silvia Q Sanches - Jan 2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O estranho caso do Ser e do Ter

 Unidos à nascença.

Amigos inseparáveis.

Ser, filho pródigo de boas famílias, amado e superprotegido, porém inseguro, medroso, libertino e mal compreendido pela sociedade.

Ter, quase nado-morto, reanimado no último momento, de condição humilde, habituado a transformar fraquezas em forças, conquistador de pequenas batalhas, bem aceite socialmente.

Não vivem um sem o outro.
Embora discordem frequentemente.

Não sabem é que ocupam os lugares errados.

Ser, mais forte do que julga, vê-se diminuído pelas normas sociais criadas por outros Ters. Ainda assim, influencia Ter a tornar-se forte — tão forte que o próprio Ser se esquece de si mesmo e do que o move.

Ter, mesmo sabendo que pode sucumbir a qualquer momento, sente-se forte. As suas conquistas tornam-no sólido aos olhos dos outros. Mas, sem Ser, Ter não é ninguém — e não sobrevive por muito tempo.

Ser, com tempo, pode ganhar confiança e continuar a ajudar Ter.

Numa união sã, será apenas uma questão de equilíbrio.

Ter terá de ceder.
E Ser terá de se impor.

Sílvia Q. Sanches
Janeiro de 2016

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Casulo


Quando se chega a uma idade em que já pouco mais há para descobrir do mundo que se conhece…
Quando já nem há paciência para apreciar os pequenos pormenores, caindo-se no isolamento — talvez do próprio conhecimento…
No egocentrismo, por assim dizer.

E o egocentrismo não tem de ser, necessariamente, algo negativo.
O autoconhecimento é necessário, e uma pitada de egoísmo faz parte da lista de condimentos para um bom “cozinhado” pessoal.

Viver a vida a agradar os outros, mostrando que se é valente, capaz de ultrapassar obstáculos, resolvendo os problemas alheios e, ainda assim, sem conseguir alcançar o sentimento mais profundo de si mesmo… é triste.

É morrer aos poucos.

É como viver numa casca, num casulo, sem nunca desabrochar.

Há momentos para tudo.
E, por mais perfeccionismo que exista, há sempre algo que pode correr mal.

O inesperado.

E o castelo de cartas desmorona-se…

Seria maravilhoso um mundo perfeito.

Mas a perfeição não existe.
E o entendimento… é utópico.

Sílvia Q. Sanches
Novembro de 2015


imagem retirada da Net

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Saber viver...

"Não viva para que a sua presença seja notada,
mas para que a sua falta seja sentida..."
Bob Marley

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mais uns pozinhos...

Falta tão pouco!
Prestes a terminar uma das minhas grandes empreitadas da vida e sinto-me a sucumbir...
Sinto que estou prestes a morrer na praia.
Procuro forças onde já não as tenho.
Só preciso de mais uns pozinhos de perlimpimpim e terminar esta maratona com a sensação de vitória.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Escola da Vida


Com os meus erros e os dos outros tenho aprendido a não repeti-los, e quando os repito é porque a lição não foi bem estudada. 
Tudo que sou hoje deve-se com certeza a tudo que tenho vivenciado. 
Erros foram mais que muitos, mas...Quem nunca errou atire a primeira pedra.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Desilusão

Quem cria grandes expectativas em relação aos outros desilude-se com muita facilidade. O ideal é viver sem esperar nada de ninguém e ser surpreendido com pequenos gestos.



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Hibernar

Tenho sono.
Muito sono...
Preciso hibernar.
Preciso dormir até que o inverno passe!  
É verão, eu sei.
Mas eu preciso hibernar.
Dormir a sono solto sem sonhos, pesadelos, barulhos ou outras interrupções.
Dormir sem dar pelo tempo passar.
Acordar nem que seja daqui a cem anos. 
Jovem e fresca como a bela adormecida.
E se comer uma maçã, ou picar um dedo num fuso?… quero dormir! 
Quero esquecer o cinzento e acordar no azul!
Não é possível, eu sei...
Como seria maravilhoso carregar num interruptor e apagar o que não interessa!
Apagar a luz e dormir...
Suprimir o que incomoda!
Dormir até que tudo passe! 
Hibernar, pronto!

Eu preciso de hibernar.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Do que me divorciaria?...

Divorciarme-ia da passividade...
Divorciarme-ia da mesquinhez...
Divorciarme-ia da monotonia...
Divorciarme-ia da carteira vazia...
Divorciarme-ia da cusquice...
Divorciarme-ia da medocridade...
Divorciarme-ia da falsidade...
da estupidez alheia...


Divorciarme-ia do trabalho forçado... apenas por que tem de ser...
Enfim... cortava relações com o que não me interessa!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013