Com os Descobrimentos iniciou-se um processo que hoje reconhecemos como globalização — e, com ele, a diáspora portuguesa.
O português é atualmente uma das línguas mais faladas do mundo, com cerca de 260 milhões de falantes. É a sexta língua materna global e uma das mais relevantes no espaço europeu, a par do inglês e do espanhol.
Fala-se português em vários continentes:
em África — nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP);
na América — com especial destaque para o Brasil;
e na Ásia — em territórios como Macau, Goa (Índia), Timor-Leste e ainda com marcas culturais em regiões como Malaca.
São nove os países com o português como língua oficial:
Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor-Leste e Guiné Equatorial.
Estes países partilham não apenas a língua, mas também uma herança histórica comum, que continua a refletir-se em laços culturais, sociais e institucionais.
No caso dos PALOP — Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe — têm vindo a desenvolver-se relações de cooperação com Portugal, nomeadamente ao nível do ensino superior, através de bolsas, intercâmbios e programas conjuntos.
A nível internacional, destaca-se a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), criada em 1996, que reúne estes países em torno de uma língua comum e de objetivos partilhados, como o desenvolvimento, a cooperação e a promoção da democracia.
Também o Instituto Camões desempenha um papel fundamental na divulgação da língua e cultura portuguesas no mundo, através de centros de ensino, apoio a comunidades e iniciativas culturais em diversos países.
Para além da língua, a presença portuguesa está marcada em diversos pontos do mundo através de construções e vestígios históricos. Um exemplo é o Forte de Nossa Senhora da Vitória, em Ormuz, no Golfo Pérsico, mandado construir por Afonso de Albuquerque em 1507 — testemunho da presença portuguesa nas rotas comerciais da época.
Em suma, a presença portuguesa no mundo permanece profundamente enraizada — na língua, na cultura e na história.
Não apenas pela epopeia dos Descobrimentos, mas também pelos movimentos migratórios que, ao longo dos séculos, levaram a cultura portuguesa além-fronteiras.
Uma presença discreta, mas persistente — feita da língua, da memória e da alma de um povo que sempre procurou novos caminhos.
Sílvia Q. Sanches
2013
