Chegam os 40, e se há a quem nada acontece e segue a sua vida, abastada, ou não, também há quem não se acomode à idade e continue a lutar como se tivesse 20 ou mesmo 30 anos.
Com os pés na areia surgem duvidas, reflexões, ideias... como grãos de areia. Sobre a areia viajo para onde a imaginação me leva. De pés na areia mantenho-me de pé... Caminho à beira deste mar, medito, escrevo e partilho ideias. Assim me vou descobrindo.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
A vida depois dos 40
Chegam os 40, e se há a quem nada acontece e segue a sua vida, abastada, ou não, também há quem não se acomode à idade e continue a lutar como se tivesse 20 ou mesmo 30 anos.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Mar
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in OBRA POÉTICA (Ed. Caminho, 2010)
domingo, 12 de janeiro de 2014
Balanço...
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Capitães da Areia
Passava os verões quase sem vigilância, na praia da Foz do Arelho, enquanto os meus avós maternos geriam o seu negócio — na altura, um bar de praia — e os meus pais tomavam conta da loja de fotografia, o negócio da família.
Na Foz do Arelho, junto ao cais, formava-se ali um ponto de venda com os mais diversos negócios: uns com farturas, outros com frangos, frutas, brinquedos de praia… enfim, tudo o que o povo consumia — ou era levado a consumir. Foram anos em que o poder económico do povo português tinha aumentado substancialmente, ainda antes da Revolução dos Cravos.
Mas as crianças não sabem o que é política.
Até aos 10 anos, vivia os meus invernos entre a escola, as Atividades de Tempos Livres do Colégio Ramalho Ortigão, as brincadeiras na minha rua e à porta da loja de fotografia, sempre à espera das férias grandes.
Os verões pareciam eternidades.
Passavam-se na Foz do Arelho, entre mergulhos no cais e a apanha de caracóis, que se coziam ainda com ranhoca e faziam as delícias dos lanches da petizada daquele “centro comercial”.
O grupo era grande, com idades entre os 4 e os 12 anos — um autêntico bando de “Capitães da Areia” daquela praia.
Éramos donos daquele pedaço.
E os miúdos que ousassem pensar que nos podiam fazer frente — quer no parque dos baloiços, quer nas sessões de mergulhos no cais — saíam, com certeza, de cabeça baixa… para depois, após a demonstração de “força”, se tornarem grandes amigos do grupo.
Posso dizer que tive uma infância livre — talvez até demais — mas saudável.
Aprendemos a ser independentes, a fazer frente aos perigos (ou, pelo menos, a contorná-los), a respeitar hierarquias, a conviver e a fazer amigos.
Apesar de parecermos um bando de “índios”, éramos meninos bons e respeitadores das regras do bem viver. Sabíamos respeitar os mais velhos e adorávamos ouvir histórias da lagoa — ou outras experiências vividas por eles.
Ajudar pais, avós ou tios a arrumar as respetivas bancas era também uma das tarefas de todos os
meninos e meninas, ao final de cada dia…
Sílvia Q. Sanches
08-01-2014






