Quando se chega a uma idade em que já pouco mais há para descobrir do mundo que se conhece…
Quando já nem há paciência para apreciar os pequenos pormenores, caindo-se no isolamento — talvez do próprio conhecimento…
No egocentrismo, por assim dizer.
E o egocentrismo não tem de ser, necessariamente, algo negativo.
O autoconhecimento é necessário, e uma pitada de egoísmo faz parte da lista de condimentos para um bom “cozinhado” pessoal.
Viver a vida a agradar os outros, mostrando que se é valente, capaz de ultrapassar obstáculos, resolvendo os problemas alheios e, ainda assim, sem conseguir alcançar o sentimento mais profundo de si mesmo… é triste.
É morrer aos poucos.
É como viver numa casca, num casulo, sem nunca desabrochar.
Há momentos para tudo.
E, por mais perfeccionismo que exista, há sempre algo que pode correr mal.
O inesperado.
E o castelo de cartas desmorona-se…
Seria maravilhoso um mundo perfeito.
Mas a perfeição não existe.
E o entendimento… é utópico.
Sílvia Q. Sanches
Novembro de 2015
