Com os pés na areia surgem duvidas, reflexões, ideias... como grãos de areia. Sobre a areia viajo para onde a imaginação me leva. De pés na areia mantenho-me de pé... Caminho à beira deste mar, medito, escrevo e partilho ideias. Assim me vou descobrindo.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Ovelha Negra
terça-feira, 28 de junho de 2016
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Raízes...
O meu lugar é aqui.
Enraizada neste mundo, neste espaço…
Rodeada de flores, aves, esquilos…
Umas vezes nua, outras vestida…
Soprada pelo vento, banhada pela chuva…
O sol e a lua.
Os cânticos dos que pousam e voam.
As marcas dos que em mim habitam.
O pólen das que me rodeiam.
Aqui estou.
Daqui não saio.
Sílvia Sanches
2014
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Conquistas
A vida faz-se de conquistas. Sem elas nada teria sentido.
A primeira conquista é a conceção, depois o nascimento, o primeiro choro — um grito de liberdade —, o primeiro sorriso, o primeiro passo, o primeiro dente, o primeiro amigo, o primeiro dia de escola, o primeiro amor, terminar a escola, o primeiro emprego, o casamento, os filhos, uma vida boa…
Enfim, todas as pequenas coisas são as nossas conquistas.
Há quem procure mais…
Espírito de conquista, naturalmente português.
Mas as verdadeiras conquistas são as que se fazem interiormente, quando de um problema retiramos o que de bom ele nos trouxe e esquecemos o que não interessa.
Conquistar é olhar em volta e saber ser feliz com o que nos rodeia, não sofrer pelo que não se tem.
Grande conquista é conhecer-nos a nós próprios para depois conhecer os outros.
A maior conquista é saber viver.
Portugal é um país de conquistadores e, como tal, eu sou mais uma no meio de tantos outros tugas.
Gosto de conquistar.
Sílvia Q. Sanches
2014
Soneto da Lua
Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros ?
Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?
Fugaz, com que direito tens-me pressa
A alma, que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:
E és tão pouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética e indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!
Vinicius de Moraes
terça-feira, 14 de junho de 2016
Com Papas e Golos se entretêm os tolos
Voltámos a épocas passadas. Épocas em que se mantinha o povo distraído com futebol, fado e religião para enganar a fome e mascarar a miséria em que se vivia.
Nada tenho contra a religião. Respeito a convicção de cada um, assim como gosto que respeitem a minha. O que me entristece é que, com tanta evolução, a fórmula continua exatamente a mesma — um bocadinho mais refinada, mas exatamente a mesma.
Enquanto o povinho tem estado ocupado a olhar para o Papa, com direito a “feriado” em vários sectores, vão metendo a mão no bolso de quem menos ganha. Porque não são os grandes gestores e a classe política, que contribuíram maioritariamente para o estado em que se encontra a nossa economia, que vão sentir o aperto do cinto.
O povinho que não sabe mais do que trabalhar e pagar para poder trabalhar é que continua a pagar, pagar, pagar…
Bem, isto parece um discurso de esquerda — podia até ser. Mas, tal como na religião, não gosto de tomar partidos. Trata-se simplesmente do lamento de quem se sente cada vez mais espezinhado pelo sistema.
É triste a forma como a classe que mais produz é tratada. Mas vai-se embebedando a populaça, que esquece depressa e até as calças baixa, se for preciso.
O povinho entretido com o Papa e os festejos de Fátima não percebe que se gastaram 750 milhões de euros para receber o velho homem. Grandeza tal que até faz corar alguém um pouco mais atento — não sei se de raiva, de desespero ou mesmo de vergonha.
Ao mesmo tempo, sabe-se que no final do ano os subsídios de Natal estarão comprometidos com cortes significativos como contributo no combate à crise; que o IVA vai aumentar, encarecendo bens alimentares e medicamentos; que o IRS sobe e com menos benefícios; que os ordenados estão congelados por tempo indeterminado; que os combustíveis aumentam mesmo com o petróleo a baixar…
Mas pior ainda é quando se sabe que o país vai ajudar a irmã Grécia e que, para tal, vai ter de pedir dinheiro emprestado. Isto então é de gritos.
De gritos é também assistir a uma euforia exacerbada com o futebol e as vitórias de um qualquer clube, ao mesmo tempo que reina o desinteresse pelo estado em que nos encontramos.
Temo que se desloquem mais pessoas aos estádios ou aos locais onde transmitem futebol do que às mesas de voto nas eleições.
É triste ver que o povinho se vai deixando levar pela maré e que, mesmo a avizinhar-se a tempestade do século, continua impávido e sereno, brincando nas ondas cada vez mais altas, como se nada estivesse em perigo.
A embriaguez do futebol é tamanha que o resto passa despercebido… e o povo fica feliz.
Enfim, a Roma antiga dava circo e pão ao seu povo.
Nós temos Papa e golos.
É uma alegria!
Sílvia Q. Sanches
Maio de 2010
Sábias Palavras
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
Caminhos
A insónia, hoje, resolveu fazer-me companhia.
Trouxe a vontade com ela.
Estivemos a ver um filme que eu guardava há uns tempos…
Fizemos um pacto.
Eu e a vontade —
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Evolução?...
Li um artigo que me despertou para aquilo a que se pode chamar a “evolução” do amor.
Diz a música que “já não há canções de amor como havia antigamente…”
E talvez seja verdade.
Vivemos na era das selfies, do mostrar no Facebook o quão “feliz” se está, do “autoconhecimento” e do desapego. Tudo isso se tornou tão moda que o verdadeiro sentido de cada uma dessas coisas se perdeu.
Vivemos permanentemente numa montra.
As relações tornam-se descartáveis.
E, se num dia o amor sai pelos poros, no outro converte-se, vertiginosamente, em ódio ou desprezo — à primeira contrariedade.
Ou se ama… ou já não se ama.
Quase ninguém deseja verdadeiramente a felicidade do outro.
Pensa-se que desejar a felicidade do outro é incompatível com a nossa própria.
O egocentrismo cego prolifera.
E os valores da amizade e do amor ao próximo vão ficando cada vez mais ténues.
Assusta a facilidade com que o amor se transforma em ódio, o querer bem em desprezo, o apego em maldizer.
As fotografias românticas dão lugar a indiretas ácidas.
As declarações de amor transformam-se em palavras amargas, carregadas de mágoa.
Os poemas de amor passaram à história — tornaram-se “pirosos”.
Mas, no fundo, todos ansiamos viver essas histórias.
Procuramos eternas primaveras, recusando as outras estações — tão ou mais importantes.
A fruta de cada época deve ser saboreada no seu tempo.
Mas a tendência é produzi-la em estufa, garantir doçura… ainda que artificial.
Esta é a tendência.
Mas será isto evolução?
É para isto que cá andamos?
Sílvia Q. Sanches
Abril de 2016
domingo, 12 de junho de 2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
sábado, 4 de junho de 2016
Os Amigos
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.
Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"










