(31/01/2017)
Só quando já se comprou casa é que se percebe que afinal não era bem aquilo que se queria.
Que se excederam todos os limites e que não se comprou o que realmente se necessitava, mas sim algo para mostrar aos demais que se conseguiu lá chegar.
Mas nada disso faz sentido.
É como comprar um carro e não ter dinheiro para o sustentar.
É como comprar uma Bimby e dizer às amigas que se tem aquele maravilhoso robot de cozinha, mas não tirar verdadeiro partido dele. Deixá-lo apenas a decorar a bancada, só porque é um aparelho de design bonito. Fica bem.
Tal como vestir roupa de uma daquelas marcas cujas peças custam quase um mês de trabalho, apenas para mostrar que se veste bem.
Tudo para mostrar.
Mostrar que se tem. Mostrar que se pode. Mostrar que se chegou lá.
Mas, no fim de contas, a quem interessa isso?
A vida não se mede pelo que se mostra, mas pelo que realmente se vive.
Talvez a verdadeira economia popular seja simplesmente saber viver com aquilo que realmente precisamos. Nem mais, nem menos.
Ter o suficiente para viver com dignidade, sem precisar de provar nada a ninguém.
Porque no fundo, quem vive para mostrar acaba por viver sempre em dívida — aos outros e a si próprio.
E essa é uma dívida que nunca se paga.