Quem me conhece sabe que não ligo muito a datas comemorativas. Até mesmo aniversários que respeito e até comemoro de acordo com o que a sociedade dita… Enfim…
Para mim é tudo palhaçada, show off, hipocrisias.
Dar os parabéns publicamente nas redes sociais que ajudam a lembrar o aniversário do amigo de escola por quem se passa na rua e nem se cumprimenta; aquela amiga que se afastou mas com quem fica bem manter as aparências de pessoa socialmente correcta e “muito popular”; o familiar que nem se conhece, mas que fica bem mostrar que se tem uma família grande; os conhecidos de quem já nem nos lembramos quem são, mas fica bem felicitar… enfim…
Já estes dias comemorativos — do pai, da mãe, dos irmãos, do cão, do gato, da treta… — todos a publicarem mensagens demonstrando afetos que só sentem no momento em que publicam para a sociedade ver.
Pois lamento ser tão fria, desligada nestes dias. Nalguns casos até sou sempre, porque a vida me obrigou a isso. Aqui, na minha frieza e despiste, amo todos os dias quem devo amar sem precisar de mostrar. Preocupo-me todos os dias com todos, mesmo que não haja comunicação.
Portanto, para mim, todos os dias são dias — menos os que nos são impostos e publicitados nas redes sociais.
Prefiro uma palavra, uma piscadela de olho ou uma boa ação em qualquer momento, a mensagens fantásticas direcionadas aos holofotes.