Sinto-me pesada.
Pesada no físico e na alma. A idade também já pesa.
Olho ao espelho e não gosto do reflexo. Uma imagem de más decisões — ou da falta delas.
Sinto-me feia. Por fora e por dentro.
Uma vela sem chama, amassada e partida, esquecida no fundo de uma gaveta.
Perdida do mundo… do propósito da vida.
Gostava de saber chorar, pedir colo, ser embalada. Não tenho jeito, nem sei como se faz.
Ensinaram-me a ser forte, a lutar, a arregaçar as mangas e enfrentar de frente — até o medo.
Aprendi, como pude, a ser muita coisa. Falhei à lição da humildade e do pedir desculpa.
Não sei, não consigo, não sou capaz…
Estou feia, velha, sozinha — e não sei lidar com isto.
Peso na consciência, assumo.
Assumindo as consequências das escolhas.
Não sei pedir desculpa, mas sei assumir.
Assumo tudo o que faço: as asneiras, as más escolhas, as falhas…
Assumo e estendo a mão à palmatória.
Queria perder peso.
Arrasto comigo toneladas.