terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Obrigações, não obrigada!

Posso parecer tolinha, palerma, domesticável, “porreirinha”…

Posso parecer pacífica — e até sou. Sou tudo isso até deixar de o ser.

No dia em que decido não ser, corto o mal pela raiz, doa a quem doer.
E não dói menos a mim… Mas é assim, como quem tem de arrancar um dente. Dói, mas passa.

Dedico-me às causas a 100%, de forma espontânea e descontraída.

Há quem não saiba entender e não respeite. Quando assim é, deixa de ser causa e passa a ser obrigação.

Nunca gostei de obrigações e não obrigo ninguém.

Sentindo que a minha presença deixa de ser desejada, retiro-me e espero reciprocidade.

Para obrigações já basta o dia a dia: o trabalho, a sociedade, as contas…

Amizades e amores têm de ser sentidos, desejados, espontâneos — não impostos friamente, nem por agenda.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Marionetas e fantoches

Tenho uma predileção especial por marionetas.

Quem da minha geração não se enterneceu numa praça qualquer a ver um teatro de fantoches? Os “Robertos”, sempre com a sua lição de moral: no fim, o mais humilde acabava por ganhar.

Havia muita fantuchada, é verdade.
Mas a mensagem era clara.

Talvez fosse por isso que ficávamos ali, atentos, a rir e a esperar pelo desfecho. No meio das pancadas, das trapalhadas e das vozes exageradas, havia sempre um momento em que a justiça aparecia — simples, direta, quase infantil.

Com o tempo percebe-se que a vida não é bem assim.

Nem sempre o mais humilde ganha. Nem sempre quem faz mais barulho é o vilão, nem quem parece inocente é a vítima.

E há dias em que todos parecemos um pouco marionetas, presos a fios invisíveis: expectativas, conveniências, papéis que nos pedem para representar.

Uns aceitam os fios.
Outros cortam-nos.

Talvez por isso continue a gostar de marionetas. Porque, no fundo, lembram-nos que há sempre alguém a puxar os fios.

A diferença é que, na vida real, cada um decide se quer continuar no palco…
ou aprender a viver sem fios.

Porque ver os fios é fácil.
Difícil é ter coragem de os cortar.