Tenho uma predileção especial por marionetas.
Quem da minha geração não se enterneceu numa praça qualquer a ver um teatro de fantoches? Os “Robertos”, sempre com a sua lição de moral: no fim, o mais humilde acabava por ganhar.
Havia muita fantuchada, é verdade.
Mas a mensagem era clara.
Talvez fosse por isso que ficávamos ali, atentos, a rir e a esperar pelo desfecho. No meio das pancadas, das trapalhadas e das vozes exageradas, havia sempre um momento em que a justiça aparecia — simples, direta, quase infantil.
Com o tempo percebe-se que a vida não é bem assim.
Nem sempre o mais humilde ganha. Nem sempre quem faz mais barulho é o vilão, nem quem parece inocente é a vítima.
E há dias em que todos parecemos um pouco marionetas, presos a fios invisíveis: expectativas, conveniências, papéis que nos pedem para representar.
Uns aceitam os fios.
Outros cortam-nos.
Talvez por isso continue a gostar de marionetas. Porque, no fundo, lembram-nos que há sempre alguém a puxar os fios.
A diferença é que, na vida real, cada um decide se quer continuar no palco…
ou aprender a viver sem fios.
Porque ver os fios é fácil.
Difícil é ter coragem de os cortar.
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