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domingo, 27 de setembro de 2009

Dia de eleições

Recordo da infância que, em dia de eleições, a família se unia bem cedinho. Todos bem aperaltados, rumávamos à escola secundária para, quase religiosamente, votar.

Lembro-me de ver os meus avós muito convictos do seu dever cívico. Eu, pequenita, vivia aquele entusiasmo dos adultos como se percebesse muito do que se passava.

Depois de depositados os papelinhos mágicos naquelas caixas negras — que me pareciam mealheiros gigantes — seguia-se, como recompensa, um belo passeio em família. Havia direito a almoço num qualquer restaurante, num qualquer destino, de preferência junto ao mar.

Era giro.

Afinal, para uma criança que de política pouco entende, o mais importante era mesmo o passeio.

Hoje já não se vai votar em bloco. Cada um vai por si. Já não há passeio nem almoço fora.

Mas, ainda assim, constatei — com alguma graça — que voltei a sentir aquele ambiente.

Uma freguesia (quase) inteira em romaria até à escola.

Agora como votante. E como mãe.

E imagino que, daqui a uns anos, o meu pequeno futuro eleitor recorde, à sua maneira, este dia.

Talvez não pelos boletins nem pelas escolhas feitas.
Mas pelo ambiente.

Porque há dias que ficam, não pelo que entendemos deles,
mas pelo que sentimos.

E este continua a ser um desses dias —
um dia em que o povo ainda tem, de alguma forma, a possibilidade de escolher.