sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Golfe & Caldo Verde


Li recentemente numa revista: “Golfe português no top mundial. Portugal é um dos melhores destinos mundiais de golfe”, refere o gotravelinsurance.co.uk.

Citando a Association of Independent Tour Operators (Aito), o site afirma:
“O Algarve tem uma das maiores concentrações de campos de alta qualidade da Europa.”

Aconselha-se ainda uma visita aos campos do Estoril e Sintra.

Oh, meus amigos!… Isto é um gozo à malta!

Está bem que temos de nos virar para o turismo.

Mas para quê o golfe?

Para quê campos relvados a perder de vista se nem as cabrinhas lá podem pastar, sujeitas a levar com uma bolada nos cornos?

Ponham mas é essa malta dos tacos com uma enxada na mão a fazer algo de positivo pela crise mundial na agricultura!

Se continuam a fazer campos de golfe desta maneira, e os campos de cultivo cada vez menos trabalhados, qualquer dia temos mesmo de comer a relva cortadinha dos campos de golfe.

E olhem que já será muito bom…

Sempre passa bem por caldo verde!

Sílvia Q. Sanches




Do golfe ao caldo verde

Li, a uns temos, numa revista de domingo do correio da manhã:" Golfe português no top mundial. "Portugal é um dos melhores destinos mundiais de golfe", refere o gotravelinsurance.co.uk. Citando a Association of Independent Tour Operators (Aito), o site afirma: " O Algarve tem uma das maiores concentrações de campos de alta qualidade da Europa".
Aconselha-se uma visita aos campos do Estoril e Sintra."

Oh meus amigos!... Isto é um gozo a malta! Esta bem que temos de nos virar para o turismo.
Mas para quê o golfe?
Para quê campos relvados a perder de vista se nem as cabrinhas lá podem pastar sujeitas a levar com uma bolada nos "cornos".
Ponham mas é essa malta dos tacos com uma enxada na mão a fazer algo de positivo pela crise mundial na agricultura.
Se continuam a fazer campos de golfe desta maneira, e os campos de cultivo cada vez menos trabalhados qualquer dia temos mesmo de comer a relva cortadinha dos campos de golfe.
E olhem que já será muito bom, sempre passa bem por caldo verde!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

É preciso coerência...

Um dia destes chamaram-me a atenção para a coerência.
Que é preciso coerência nos actos e no que se diz, e que eu por vezes sou incoerente.
Fiquei a pensar nisso até hoje e resolvi "esmiuçar" a palavra coerência para ver se entendia bem a acusação que em tudo me parecia injusta.

Comecei por ver no dicionário que diz: Coerência 1 Ligação ou harmonia entre dois factos ou duas ideias; lógica; conexão; 2 regularidade no modo de agir, de sentir, etc. * Coerência textual propriedade de um texto que garante a sua unidade global e que depende tanto da intencionalidade do autor/locutor como da capacidade e das estratégias interpretativas do leitor/receptor.

Coerênte aquele que age com coerência.

Bem, vamos lá ver então se sou coerente neste meu pensamento.
*Dois factos, duas situações idênticas e a mesma forma de pensar (objectivo: não querer guerras e provocações) é ser incoerente?
*Deixar sempre claro que não gosto que me manipulem é não ser coerente?
*Saltar de uma situação que só iria provocar dor e sofrimento a muita gente, especialmente aos que mais se preza, é não ter coerência?
Pois de facto se calhar não fui realmente coerente comigo própria quando acreditei que podia transformar uma ilusão numa realidade e quando me deixei levar por mentes argutas que me toldaram temporariamente a minha verdadeira essência.
Posso não ser coerente em tudo o que penso ou faço, mas no meu entender, mudar de opinião em relação a um determinado assunto não é ter falta de coerência, é simplesmente evoluir, ou então a ciência e até a língua com que nos expressamos seriam igualmente incoerentes, ou estarei eu a cometer uma incoerência com esta minha linha de pensamento?
Há uma coisa de que me orgulho de ser mesmo coerente, é o facto de ser um espírito livre e não deixar que me privem de pensar como penso. Sou complexa, é certo, mas quem me conhece verdadeiramente sabe que o que eu procuro é amizades sem qualquer interesse e em que a harmonia contagie todos quanto me rodeiam sem qualquer esforço.

Sou uma lírica, eu sei! Se isso é ser incoerente então eu sou.

Mas o que é preciso é ser coerente, de preferência com nós próprios e com os que queremos ver bem.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

É bom sonhar!

Um dia sonhei que me tinha apaixonado. Daquelas paixões que ardem, queimam, desnudam… Foi um sonho tão lindo, tão profundo, que me recusava a acordar. Queria ser a Bela Adormecida e sonhar para o resto da vida, até que um príncipe encantado viesse tornar esse sonho realidade. Mas não existem paixões assim na vida real. Com muita pena minha, são histórias de encantar — apenas isso — para nos fazerem acreditar que somos alguém especial, ainda que só em sonho. É bom sonhar. Faz bem à alma. Corremos tanto nesta vida que nem nos damos conta de que nos esquecemos de amar — e de ser amados. Na correria do dia a dia colocamos o trabalho, a casa, os hobbies, até ideias estranhas, à frente do amor. E, quando se fala nele, lembramo-nos dos filhos — com toda a ternura que temos por eles. E esquecemo-nos de que, para existir esse amor materno, teve de haver outro antes: o amor de fazer um filho, o amor de o desejar, o amor de o gerar, o amor de o parir, o amor de o amamentar… Não será esse o verdadeiro amor? É. Sem dúvida que é. Mas ainda assim… é bom sonhar. Sonhar que existem amores como nas canções e na poesia — aqueles que nos fazem enamorar pelas coisas, pelas paisagens, pelos lugares… pela vida, de novo. É bom sonhar. Foi bom sonhar.

Pensar o Amor


Desde miúdos que ouvimos histórias de encantar, com magia e reinos de fantasia.
Crescemos a sonhar e a imaginarmo-nos príncipes e princesas de um mundo em que o amor triunfa para sempre.
Depois, quando crescemos, constatamos que, as vezes, o amor não é bem assim como imaginámos.
A vida torna-se cinzenta e ecoa na nossa mente o pensamento: " não foi isto que eu sonhei para mim".
Com essa realidade transformamo-nos por dentro e aprendemos a lidar com todo o tipo de emoções e sentimentos, num repertório mental alargado de esquemas e respostas.
Mas como é que o nosso olhar muda e de que forma passamos a acreditar ou não no "era uma vez"? No nosso "faz-de-conta", como se esboçam os nossos sonhos? Vale a pena?
Há frases que nos ficam na memória.
Um dia destes ouvi alguém dizer: " ter sorte dá muito trabalho".
Diz-se que a sorte tem a ver com o destino. Que temos mais ou menos sorte devido a algo que não conseguimos bem definir e que passa pela crença ou fé.
Pois eu sou da opinião de que a sorte desenha-se e constrói-se. Ter sorte ao amor, por exemplo, não vem só do acaso ou circunstâncias, mas passa igualmente por factores que nos envolvem, mesmo de forma inconsciente.
O caminho da sorte poderá ser escolhido em consciência, de forma mais intuitiva ou racional. Ter sorte aprende-se.
O amor define-nos, na intimidade de ser e de estar. O amor que se vive ao longo da vida, de várias formas, umas mais suaves outras mais intensas, é parte significativa do nosso auto-conhecimento. Sempre com a necessidade de sermos especiais.
Por outro lado, aquilo que somos define a nossa forma de amar, as relações de afecto que estabelecemos, quem procuramos ou quem queremos.
A forma como reconhecemos os nossos próprios sentimentos e sentimos os dos outros nos diferentes contextos e situações permite-nos o crescimento interior e o desenvolvimento da arte de ser feliz com alguém.
As vezes, temos medo de amar e ainda bem. O medo traz-nos a coragem para crescer e continuar a aprender a amar.
A maior parte das vezes, carregamos a nossa relação com problemas, com antecipações de maus cenários, com exigências, com dúvidas, com desconfiança, asfixia da nossa própria felicidade e capacidade de amar.
Aí temos de pensar o amor.
A vida a dois e seus projectos e sonhos envolve dificuldades que têm de ser percepcionadas e reflectidas com desafios a dois, e é isso que fortalece uma relação.
Pensar o amor é também termos consciência daqueles pensamentos que nos assolam vezes sem conta, do tipo: "não consigo ser feliz com ninguém", "afasto todos quanto me rodeiam", "não tenho sorte nenhuma", "ninguém me entende" .
Temos de mandar estes pensamentos para trás das costas e abrir as portas a um amor consciente e mais livre, com espaço para a aceitação e para o aqui e agora.
Temos tendência a complicar aquilo que, no fundo, é tão simples.
Se aprendermos novas formas de relação e ambicionar a simplicidade no amor, implica uma constante mudança começando do zero todos os dias.
Hoje em dia, somos rodeados de informação, real ou virtual, que nos deixa muitas vezes, de forma paradoxal, um vazio na alma.
Descomplicar é o segredo.
O amor com ingredientes de paixão e de amizade, está integrado nas nossas vidas, Faz parte da nossa essência.
Afinal, o amor é para sempre e é possível aprender a amar. Descomplicadamente...

Venerando a Lua


Quando olho a lua penso:
Tão bela que ela é!
Majestosa.
Quando cheia, é magnifica, linda, iluminada.
Faz-me sonhar.
A sua luz é prata.
O seu luar
Lembra um tapete de diamantes sobre um manto azul reflectido nas águas.
Muitos a veneram.
Influencia toda a vida na terra.
Toda a vida da terra depende deste astro.
Porquê?
Se a lua não tem vida.
Não tem luz própria.
É simplesmente um espelho frio reflectindo a luz solar.
Sua beleza é roubada ao sol.
Vive na sombra.
Esconde-se atrás da terra.
É apenas um rochedo imenso que se vem afastando da sua rota.
Porquê?
Porque tantos a admiram?
Porque tantos lá querem chegar?
Tão poucos lá chegam…
A lua
Fria
Sem vida
Mexe com a vida 
Aquece almas
Faz sonhar
Eu amo a lua!


Sílvia Q. Sanches 2009

A praia da minha infancia


Mas que desilusão!

Há dias resolvi voltar à Praia da Foz, depois de uma pausa de anos. Passei lá a minha infância e juventude e muitas e boas recordações guardo comigo.

Desiludi-me com o que vi.

Aquela que era a minha segunda casa — ou melhor, o meu segundo recreio —, com um areal imenso e uma água transparente, não passa agora de uma praia cheia de gente, suja e malcheirosa.

Ou tive azar no dia que escolhi para voltar à minha praia, ou os governantes locais estão a esquecer-se de manter o bem que temos.

Se o nosso futuro é o turismo, o melhor não é apenas pensar em construir hotéis e campos de golfe. A praia é tão ou mais importante, e mantê-la aprazível aos olhos de todos não é mais do que um simples gesto de bom gosto.

Afinal, temos uma lagoa tão bonita… porque não cuidar dela?

Não me apetecia desiludir-me mais com o local onde cresci tão saudavelmente. Adoraria poder voltar a caminhar sobre um areal limpo como era há vinte anos.

Será possível… ou utopia minha?

Sílvia Q. Sanches

De pés na areia


Caminhando sobre a areia flutua-se num plano mais alto.

Soltam-se amarras ao descalçar os sapatos. Cabelo ao vento. Um arrepio agradável.

É nesses momentos que se juntam, como num puzzle, os episódios soltos da vida.

Reflete-se no que é bom, no que não vale a pena e no que nunca se deveria ter feito, mas que afinal até serviu de lição. Pensa-se no que de bom se tem e no que se pode melhorar amanhã.

Na areia soltam-se as energias negativas em cada pegada que fica para trás e, ao vento, chamam-se todos os nomes que se gostaria de chamar a tanta gente. Ele não se zanga… e a alma fica leve.

Chega-se à praia com toneladas na cabeça e, pouco a pouco, começa-se a ouvir o mar, a brisa, as gaivotas, os próprios passos, a própria respiração.

É aí que se sente o quanto é bom andar de pés na areia.

Sílvia Q. Sanches
2009


domingo, 14 de junho de 2009

Ser Tuga

Ser português é…

Levar arroz de frango para a praia.

Guardar as cuecas velhas para polir o carro.

Lavar o carro na rua, ao domingo.

Ter pelo menos duas camisas “traficadas” da Lacoste e da Tommy (amarelo-canário e azul-cueca).

Passar o domingo no shopping.

Tirar a cera dos ouvidos com a chave do carro ou com a tampa da esferográfica.

Ter bigode.

Viajar para o cu de Judas e encontrar outro tuga no restaurante.

Receber visitas e mostrar a casa toda.

Enfeitar as estantes da sala com os presentes do casamento.

Exigir que lhe chamem “Doutor”.

Exigir que o tratem por Sr. Engenheiro.

Assassinar o português ao escrever.

Gastar 50 mil euros num Mercedes C220 CDI, mas não comprar o kit mãos-livres porque “é caro”.

Já ter “ido à bruxa”.

Ter os filhos batizados e na catequese, mas nunca pôr os pés na igreja.

Não ser racista… mas abrir exceção com os ciganos.

Ir de carro para todo o lado — mesmo que seja a 500 metros de casa.

Conduzir sempre pela faixa da esquerda da autoestrada (a da direita é para os camiões).

Cometer três infrações ao código da estrada por quilómetro percorrido.

Ter três telemóveis.

Gastar uma fortuna no telemóvel, mas pensar duas vezes antes de ir ao dentista.

Ir à bola, comprar bilhete para a “geral” e saltar para a “central”.

Viver em casa dos pais até aos 30 anos ou mais.

Ser mal atendido, ficar lixado da vida, mas não reclamar por escrito “para não se chatear”.

Falar mal do Governo eleito e esquecer-se que votou nele.

Pendurar a bandeira portuguesa na janela durante o Euro… e tirá-la logo a seguir porque “é foleiro”.


Viva Portugal, carago…

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Peixinhos da sorte!

O meu avô materno vinha de uma família numerosa.
Eram muitos irmãos — nem sei bem quantos.

Devido às dificuldades da vida, cedo se separaram e cada um tentou a sua sorte em sítios diferentes. Uns em Alhandra, outros no Montijo, outros em Vila Franca de Xira, outros aqui nas Caldas… enfim, de Alenquer espalharam-se por vários lugares — até para Inglaterra!

Um desses irmãos — o mais carismático que conheci — correu meio país com a sua também grande família, desde a Marinha Grande até Lisboa, onde acabou por se instalar numa encosta na zona do Areeiro.

Foi lá que construiu a sua alegre casinha.

Com tijolos encontrados aqui e ali, tábuas, folhas de zinco e o que mais aparecesse.

Um verdadeiro “palácio”.
Bem ao jeito de um filme do Fellini.

Esse meu tio vivia do seu negócio — aliás, de vários negócios.

A verdade é que toda a família tinha espírito empreendedor e alma de inventor. Muito imaginativos. Uns para a fotografia, outros para outras artes de viver.

O meu avô, por exemplo, construiu a sua primeira máquina fotográfica à la minute, bem como cenários e engenhocas para a fotografia. Mais tarde, reinventou-se ainda noutros negócios.

A maioria dedicou-se à fotografia.

Mas esse irmão — o tio António, o mais velho — não era muito dado a essas artes. Tinha mais jeito para os animais.

Instalou então a sua banca no Martim Moniz, mesmo ao lado do Hotel Mundial, a poucos metros de uma grande loja de animais.

Vendia passarinhos.

Alguns criados no seu “palácio” do Areeiro, outros apanhados nas zonas verdes que ainda existiam em Lisboa.

Um dia — e porque o negócio florescia — resolveu alargá-lo.

E dedicou-se também… aos peixinhos.

Começou por vender uns pequenos “peixes” que os filhos apanhavam em charcos de terrenos baldios ali perto.

E, com o seu toque genial, baptizou-os de:

Peixinhos da sorte!

Sorte para ele…
azar para quem comprava!

Olha os peixinhos da sorte! — apregoava.

Esses pequenos peixinhos eram, pura e simplesmente… girinos!

E quando alguém voltava a reclamar que o “peixinho” se tinha transformado numa rã, ele respondia com o ar mais ingénuo que conseguia:

Vejam bem… como é que a rã foi comer o seu peixinho da sorte! Isto há coisas que nem lembram ao diabo, heim?!

Pois o diabo, ao pé deste meu tio, teria muito que aprender…

Eh, eh, eh!

Que família.

Sílvia Q. Sanches
2009

domingo, 7 de junho de 2009

A vida continua



Há dias tristes, em que não se gosta de nada… nem de ninguém.
Nem do próprio ser.

Coloca-se em causa a própria existência
e a forma como se vive.

Há dias em que o mundo desaba
e todas as luzes se apagam.

Dias de autêntica solidão.

Mas ninguém está só.

Existe sempre alguém com situações idênticas — e, quem sabe, piores.

Então, é nesse momento que se começa a vislumbrar uma luzinha.

Olha-se para uma criança na rua e sorri-se.
Aquela nuvem que passa, que gira… até parece uma girafa!
Passa aquela música na rádio que já não se ouvia há séculos — velhos tempos!
Passa-se por um campo repleto de margaridas… que bela fotografia daria!
Admira-se a imensidão do mar.
O abraço de um filho ao chegar a casa…

Retomam-se forças.
Levanta-se a cabeça.
Enche-se o peito de ar.

As luzes acendem-se.

Segue-se em frente.

A vida continua…

Sílvia Q. Sanches
2009

Hibernar


Hibernar

E quando se pensa que nesta vida tudo se sabe,
isso é sinal de uma ignorância tão grande que não haveria terra nem mar que a suportassem.

Não dormi o suficiente…
e apetece-me dormir.

Não só para descansar —
também para esquecer,
para me isolar,
para me esconder da realidade.

Tenho sono.
Tenho muito sono.

Preciso de hibernar.