quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Capitães da Areia

Passava os verões quase sem vigilância, na praia da Foz do Arelho, enquanto os meus avós maternos geriam o seu negócio — na altura, um bar de praia — e os meus pais tomavam conta da loja de fotografia, o negócio da família.

Na Foz do Arelho, junto ao cais, formava-se ali um ponto de venda com os mais diversos negócios: uns com farturas, outros com frangos, frutas, brinquedos de praia… enfim, tudo o que o povo consumia — ou era levado a consumir. Foram anos em que o poder económico do povo português tinha aumentado substancialmente, ainda antes da Revolução dos Cravos.

Mas as crianças não sabem o que é política.

Até aos 10 anos, vivia os meus invernos entre a escola, as Atividades de Tempos Livres do Colégio Ramalho Ortigão, as brincadeiras na minha rua e à porta da loja de fotografia, sempre à espera das férias grandes.

Os verões pareciam eternidades.

Passavam-se na Foz do Arelho, entre mergulhos no cais e a apanha de caracóis, que se coziam ainda com ranhoca e faziam as delícias dos lanches da petizada daquele “centro comercial”.

O grupo era grande, com idades entre os 4 e os 12 anos — um autêntico bando de “Capitães da Areia” daquela praia.

Éramos donos daquele pedaço.

E os miúdos que ousassem pensar que nos podiam fazer frente — quer no parque dos baloiços, quer nas sessões de mergulhos no cais — saíam, com certeza, de cabeça baixa… para depois, após a demonstração de “força”, se tornarem grandes amigos do grupo.

Posso dizer que tive uma infância livre — talvez até demais — mas saudável.

Aprendemos a ser independentes, a fazer frente aos perigos (ou, pelo menos, a contorná-los), a respeitar hierarquias, a conviver e a fazer amigos.

Apesar de parecermos um bando de “índios”, éramos meninos bons e respeitadores das regras do bem viver. Sabíamos respeitar os mais velhos e adorávamos ouvir histórias da lagoa — ou outras experiências vividas por eles.

Ajudar pais, avós ou tios a arrumar as respetivas bancas era também uma das tarefas de todos os 

meninos e meninas, ao final de cada dia…

Sílvia Q. Sanches

08-01-2014






terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mais uns pozinhos...

Falta tão pouco!
Prestes a terminar uma das minhas grandes empreitadas da vida e sinto-me a sucumbir...
Sinto que estou prestes a morrer na praia.
Procuro forças onde já não as tenho.
Só preciso de mais uns pozinhos de perlimpimpim e terminar esta maratona com a sensação de vitória.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Realização






"Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos - um poço fitando o céu."


Fernando Pessoa
Fonte - Livro do Desassossego