Com os pés na areia surgem duvidas, reflexões, ideias... como grãos de areia. Sobre a areia viajo para onde a imaginação me leva. De pés na areia mantenho-me de pé... Caminho à beira deste mar, medito, escrevo e partilho ideias. Assim me vou descobrindo.
sábado, 8 de agosto de 2015
quinta-feira, 30 de julho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Capuchinho Vermelho - a historia que não se conta...
O Capuchinho Vermelho…
a própria avozinha.
O lobo não era mau.
Foi seduzido pela leveza daquela mulher que se sentia menina.
A capa vermelha dos tempos de adolescência alegrava-lhe o rosto.
Caminhava pelo bosque, saboreando o cheiro da terra, o chilrear dos pássaros, as flores…
Amava a vida — e tudo o que a rodeava.
Não tolerava injustiças e lutava sempre pelos menos favorecidos.
Ao ver o lobo, ali sozinho, indefeso, afagou-lhe o pelo, ofereceu-lhe um biscoito… e sentaram-se a venerar a floresta.
Conversaram horas sem fim.
Assunto nunca lhes faltou.
O lobo aquecia a avozinha…
e ela sentia-se menina.
Acarinhava-o, ouvindo as suas histórias.
Sentiam-se bem juntos.
Completavam-se.
A amizade cresceu tanto que, na aldeia, todos se intrigavam.
Que tanto tinham aqueles dois para conversar?
Não entendiam que uma mulher envelhecida se pudesse sentir jovem.
Nem que um lobo pudesse ser bom.
Não aceitavam a pureza daquela amizade.
Diagnosticaram demência à mulher e internaram-na num lar.
Ao lobo, caçaram-no e fecharam-no num centro de recuperação do lobo-ibérico.
Ele integrou-se com os seus companheiros de cativeiro.
Sente-se acolhido pela nova alcateia.
A avozinha, cada vez mais alheada da vida, guarda ainda a capa vermelha na sua caixa de memórias.
Sente-se a ovelha negra do seu próprio rebanho.
Na aldeia, continua-se a contar a velha história do Capuchinho Vermelho — omitindo a parte das crianças visitarem os avós e reforçando apenas o medo dos lobos.
Sílvia Sanches
2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
sexta-feira, 10 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
segunda-feira, 30 de março de 2015
domingo, 29 de março de 2015
sábado, 14 de março de 2015
Sair de cena
A longa-metragem, tipicamente portuguesa, corre o risco de se tornar uma infinita metragem, com cenas demasiadamente longas e falas à medida do curto orçamento.
A monótona e sensaborona história pode até ser considerada uma obra de arte.
Alguns aplaudem, outros copiam… há até quem inveje o que julga ver.
Na verdade, ninguém assiste à totalidade do filme.
Tornou-se socialmente correto apreciar histórias longas, cada vez mais raras. O que escasseia torna-se valioso aos olhos da sociedade, mesmo que a história seja incompreensível.
As expectativas elevam-se, o realizador perde a imaginação, ao guionista faltam as palavras e o elenco perde a cumplicidade.
A película não comporta muito mais e há que acabar com a história.
O dilema é como acabar.
Queima-se viva a protagonista, desvendando-lhe os atos de bruxaria?
Enviá-la para o desterro, deserdada de tudo e de todos?
Morrerá heroicamente numa batalha campal ou partirá numa fuga inglória, desaparecendo na neblina para todo o sempre?
O público já dorme, aguardando um final feliz…
Mas há que chocar, marcar pela diferença e sair de cena sem perder o protagonismo.
Sílvia Q. Sanches
Março de 2015








