quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O estranho caso do Ser e do Ter

 Unidos à nascença.

Amigos inseparáveis.

Ser, filho pródigo de boas famílias, amado e superprotegido, porém inseguro, medroso, libertino e mal compreendido pela sociedade.

Ter, quase nado-morto, reanimado no último momento, de condição humilde, habituado a transformar fraquezas em forças, conquistador de pequenas batalhas, bem aceite socialmente.

Não vivem um sem o outro.
Embora discordem frequentemente.

Não sabem é que ocupam os lugares errados.

Ser, mais forte do que julga, vê-se diminuído pelas normas sociais criadas por outros Ters. Ainda assim, influencia Ter a tornar-se forte — tão forte que o próprio Ser se esquece de si mesmo e do que o move.

Ter, mesmo sabendo que pode sucumbir a qualquer momento, sente-se forte. As suas conquistas tornam-no sólido aos olhos dos outros. Mas, sem Ser, Ter não é ninguém — e não sobrevive por muito tempo.

Ser, com tempo, pode ganhar confiança e continuar a ajudar Ter.

Numa união sã, será apenas uma questão de equilíbrio.

Ter terá de ceder.
E Ser terá de se impor.

Sílvia Q. Sanches
Janeiro de 2016

domingo, 27 de dezembro de 2015

Viagens

100 coisas que quero fazer antes de morrer

                                                           imagem retirada de:http://advesmiriam.com/things-to-do-before-i-die-list/nturou

Mais um ano termina com muitos objectivos cumpridos, não me posso lamentar. Mas continuo a ter uma lista infindável de coisas por realizar. 
Muitas delas são quase impossíveis, algumas fúteis e muitas úteis, mas não passam de sonhos e sonhar é viver. Por isso, reuni 100 coisas que eu gostaria de ter oportunidade de fazer antes de morrer. Algumas que já realizei, nem se encontram na lista, outras foram sublinhadas.

Vou também fazer uma selecção das que poderei vir a realizar em 2016 e tentar seguir os meus objectivos procurando sempre o máximo de realização e felicidade.

  1. Visitar Amesterdão - Holanda;
  2. Fazer férias a pé de mochila às costas;
  3. Fazer o caminho de Santiago;
  4. Assistir a uma opera; 
  5. Voar num balão de ar quente;
  6. Pintar o meu auto retrato;
  7. Comprar a minha máquina fotográfica e tirar partido dela;
  8. Aprender uma língua nova e usá-la;
  9. Passar um dia inteiro a comer o que me apetece sem culpas;
  10. Emagrecer sem engordar mais;
  11. Inscrever-me no ginásio e não desistir;
  12. Contar a alguém a história da minha vida;
  13. Organizar o meu álbum de fotografias;
  14. Fazer um inter-rail;
  15. Visitar a Polinésia; 
  16. Fazer um voo de parapente ; 
  17. Aprender Surf e surpreender o meu filho;
  18. Dormir num quarto com uma vista espantosa bem acompanhada;
  19. Aprender agricultura biológica;
  20. Fazer um elogio a um desconhecido;
  21. Aprender a confiar mais nos outros;
  22. Tomar banho numa cascata;
  23. Enviar uma mensagem numa garrafa;
  24. Andar de camelo no deserto;
  25. Plantar uma árvore;
  26. Participar num Flash Mob;
  27. Participar no Paris Dakar a conduzir uma moto ou um jeep, tanto faz;
  28. Aprender um estilo de dança, saber dançar;
  29. Andar no London-Eye; 
  30. Aprender natação sincronizada;
  31. Apaixonar-me perdidamente;
  32. Ver o pôr e o nascer do sol num destino paradisíaco; 
  33. Inscrever-me e concluir um curso superior;
  34. Escrever um romance;
  35. Andar de Gôndola em Veneza;
  36. Fazer uma noitada e ir trabalhar no dia a seguir sem ter ido a casa;
  37. Gostar do que faço;
  38. Aprender a tocar um instrumento musical;
  39. Ensinar alguém a ler;
  40. Fazer amigos noutro país;
  41. Receber estrangeiros e partilhar culturas;
  42. Passar uma noite numa casa na montanha;
  43. Fazer uma Passagem de Ano na Times Squere;
  44. Fazer uma roadtrip coast-to-coast em Portugal;
  45. Observar o céu com um telescópio;
  46. Frequentar um SPA e sair como nova;
  47. Dormir sob as estrelas;
  48. Fazer um acampamento com amigos;
  49. Criar objectivos pessoais a longo prazo e tentar cumpri-los;
  50. Andar na maior montanha-russa do mundo;
  51. Fazer uma batalha de bolas de neve;
  52. Passar um Carnaval no Rio de Janeiro; 
  53. Passar outro Carnaval em Veneza;
  54. Fazer uma surf trip numa auto caravana;
  55. Passar um dia inteiro a ler um livro;
  56. Perdoar alguém;
  57. Aprender a fazer malabarismo com três bolas;
  58. Visitar a Torre Eiffel;
  59. Passar o Natal a viajar;
  60. Visitar o Grand Canyon Park;
  61. Ajudar pessoas a concretizar alguns dos seus sonhos;
  62. Comprar casa própria;
  63. Cultivar um jardim;
  64. Correr uma maratona;
  65. Ter um filho;
  66. Aprender a fazer cocktails;
  67. Fazer mergulho;
  68. Visitar Roma e ver o Papa;
  69. Ir a um festival de rock;
  70. Dançar à chuva;
  71. Viver pelo menos um mês num país estrangeiro;
  72. Construir um castelo de areia gigante;
  73. Ir a um clube de strip;
  74. Assistir a um grande evento desportivo como por exemplo os Jogos Olímpicos;
  75. Navegar num veleiro;
  76. Casar;
  77. Viver livre;
  78. Fazer um cruzeiro pelas ilhas gregas;
  79. Fazer uma fogueira na praia com amigos;
  80. Transformar a casa sempre que me apetecer;
  81. Dedicar-me à arte poder viver disso;
  82. Visitar a Grécia;
  83. Cantar num coro Gospel;
  84. Juntar todos os meus amigos numa festa (nem que seja no meu funeral);
  85. Fazer um retiro meditativo;
  86. Andar a cavalo pela praia;
  87. Ver um espectáculo de bailado;
  88. Nadar com os golfinhos;
  89. Assistir a um musical na Broadway;
  90. Assistir a um concerto do Andre Rieu;
  91. Escalar uma falésia;
  92. Passar um Natal na Disney;
  93. Praticar canoagem e/ou rafting;
  94. Fazer uma biblioteca de livros lidos por mim;
  95. Atravessar o país de bicicleta;
  96. Fazer amizade com alguém muito excêntrico;
  97. Não lamentar o tempo perdido;
  98. Conhecer os meus netos;
  99. Ver o meu filho feliz e bem sucedido na vida;
  100. Não perder a noção da vida.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Casulo


Quando se chega a uma idade em que já pouco mais há para descobrir do mundo que se conhece…
Quando já nem há paciência para apreciar os pequenos pormenores, caindo-se no isolamento — talvez do próprio conhecimento…
No egocentrismo, por assim dizer.

E o egocentrismo não tem de ser, necessariamente, algo negativo.
O autoconhecimento é necessário, e uma pitada de egoísmo faz parte da lista de condimentos para um bom “cozinhado” pessoal.

Viver a vida a agradar os outros, mostrando que se é valente, capaz de ultrapassar obstáculos, resolvendo os problemas alheios e, ainda assim, sem conseguir alcançar o sentimento mais profundo de si mesmo… é triste.

É morrer aos poucos.

É como viver numa casca, num casulo, sem nunca desabrochar.

Há momentos para tudo.
E, por mais perfeccionismo que exista, há sempre algo que pode correr mal.

O inesperado.

E o castelo de cartas desmorona-se…

Seria maravilhoso um mundo perfeito.

Mas a perfeição não existe.
E o entendimento… é utópico.

Sílvia Q. Sanches
Novembro de 2015


imagem retirada da Net

sábado, 8 de agosto de 2015

com tudo e sem nada...

Gostava de ser diferente.

Saber viver só.

Não precisar de ninguém para ser alguém!

Procuro a cada instante, em qualquer canto... nunca me encontro.

Nada vejo, e a cada momento me desiludo.

Com ninguém em especial. É mesmo comigo!

A eterna insatisfação de quem nada falta mas nada satisfaz.

Não vejo nada.

Qual criança pobre sedenta do conforto que nunca terá.

Qual velha saudosa daquilo que nunca teve.





quarta-feira, 5 de agosto de 2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Amizades

Encontrei esta imagem na internet.
Para mim a que melhor define o meu conceito de amizade:
Todos diferentes, mas todos unidos!



quinta-feira, 11 de junho de 2015

Capuchinho Vermelho - a historia que não se conta...



O Capuchinho Vermelho…
a própria avozinha.

O lobo não era mau.

Foi seduzido pela leveza daquela mulher que se sentia menina.

A capa vermelha dos tempos de adolescência alegrava-lhe o rosto.

Caminhava pelo bosque, saboreando o cheiro da terra, o chilrear dos pássaros, as flores…

Amava a vida — e tudo o que a rodeava.

Não tolerava injustiças e lutava sempre pelos menos favorecidos.

Ao ver o lobo, ali sozinho, indefeso, afagou-lhe o pelo, ofereceu-lhe um biscoito… e sentaram-se a venerar a floresta.

Conversaram horas sem fim.

Assunto nunca lhes faltou.

O lobo aquecia a avozinha…
e ela sentia-se menina.

Acarinhava-o, ouvindo as suas histórias.

Sentiam-se bem juntos.
Completavam-se.

A amizade cresceu tanto que, na aldeia, todos se intrigavam.

Que tanto tinham aqueles dois para conversar?

Não entendiam que uma mulher envelhecida se pudesse sentir jovem.
Nem que um lobo pudesse ser bom.

Não aceitavam a pureza daquela amizade.

Diagnosticaram demência à mulher e internaram-na num lar.

Ao lobo, caçaram-no e fecharam-no num centro de recuperação do lobo-ibérico.

Ele integrou-se com os seus companheiros de cativeiro.
Sente-se acolhido pela nova alcateia.

A avozinha, cada vez mais alheada da vida, guarda ainda a capa vermelha na sua caixa de memórias.

Sente-se a ovelha negra do seu próprio rebanho.

Na aldeia, continua-se a contar a velha história do Capuchinho Vermelho — omitindo a parte das crianças visitarem os avós e reforçando apenas o medo dos lobos.

Sílvia Sanches
2015