sábado, 14 de maio de 2016

Mundo louco

Vivemos numa época de extremos.
Do tudo ou nada.

Somos cada vez mais independentes — e mais desligados.
A evolução tem-nos tornado assim.

Na pré-história, vivíamos em grandes grupos — um instinto primário que nos mantinha em segurança e garantia a continuidade da espécie.

Ao longo da história, fomos alterando hábitos, mudando necessidades.

Dos grandes grupos passaram a existir famílias.
Das grandes casas de família surgiram núcleos mais pequenos: casais com dois ou três filhos, casais com um filho, casais com um cão ou um gato… famílias monoparentais… ou simplesmente a opção de ficar só.

Ser só, por vezes, parece ser a escolha mais sensata.
Ainda assim, a ideia de “família” continua profundamente enraizada em cada um de nós — e na sociedade em geral.

A evolução tem-nos tornado seres cada vez mais individuais.

E, se “ninguém é de ninguém”…
para quê o sentido de posse?
Para quê o sentido de família?

Para quê carregar responsabilidades por pessoas que se tornaram tóxicas na nossa vida?

Cada um evolui por si, nas suas próprias vivências, interpretando a vida à sua maneira.

Para quê seguir grupos, líderes, normas?

Nem todos evoluíram da mesma forma, é certo.

E, por vezes, parece até que a sociedade retrocedeu.

Manifesta-se em grandes massas embriagadas de futebol, religião ou política…
influenciadas pelos media, pelo espetáculo, pelos reality shows, pelo dinheiro — e, acima de tudo, pelo poder.

O poder de alguém que pensa por si mesmo…
e que, sozinho, consegue influenciar uma sociedade ainda marcada por instintos primários.

Sílvia Q. Sanches
Maio de 2016

quinta-feira, 12 de maio de 2016

...ET...

Há dias em que me sinto uma autêntica extraterrestre.

Completamente fora de contexto, deslocada da realidade onde vivo.

Não me identifico com nada disto.

Vou-me adaptando.

Talvez seja esse o sentido da minha presença neste mundo.

Mas, sempre que ouço dizer que há vida noutro planeta…
fico tão feliz!

Afinal… não estou sozinha.

Sílvia Q. Sanches
Maio de 2016

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Invasões

As invasões fazem parte da história mundial.

A cultura ibérica, tão característica, é sem dúvida resultado das diversas invasões sofridas ao longo dos séculos.

Está, por isso, intrínseco em cada ibérico — em cada português — um certo sentido de invasão, sobretudo do espaço alheio.

Mas, à semelhança das grandes invasões históricas, surge inevitavelmente uma reação contrária:
o impulso de repulsa…
e, sobretudo, de evasão.

Desperta-se, então, o desejo de autonomia.

Convém ter sempre presente que a grande lição de cada invasão é simples:

“A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.”

Sílvia Q. Sanches
10 de maio de 2016

sábado, 30 de abril de 2016

Supertrumps - Dreamer

one of my favorits songs

Sou o que sou...

Sou despistada, teimosa, chata…
Umas vezes emotiva, muitas outras fria.
Difícil de aturar — nem eu me aturo.

Posso ser brusca, pouco assertiva, exigente.
Por vezes intolerante.
Impaciente.

Terei muitos outros defeitos dos quais não me recordo.
A falta de memória será mais um…

Mas, se não me aceitarem no pior do meu carácter,
seguramente não merecerão o melhor de mim.

Ao menos…
sei quem sou.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

"If I Fell"


If I fell in love with you
Would you promise to be true
And help me understand
Cos I've been in love before
And I found that love was more
Than just holding hands

If I give my heart to you
I must be sure
From the very start
That you would love me more than her

If I trust in you oh please
Don't run and hide
If I love you too oh please
Don't hurt my pride like her
Cos I couldn't stand the pain
And I would be sad if our new love was in vain

So I hope you see that I
Would love to love you
And that she will cry
When she learns we are two
Cos I couldn't stand the pain
And I would be sad if our new love was in vain

So I hope you see that I
Would love to love you
And that she will cry
When she learns we are two
If I fell in love with you

Recordando o 25 de Abril


A musica do José Afonso fez parte da minha infância. Cresci a ouvir Zeca e ainda hoje me emociono quando o ouço.  

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Querer é poder?...



Ao sabor da corrente

Umas vezes apressada, outras mais lenta e descontraída.

Num compasso marcado pelo calendário fiscal,
incapaz de abrandar… de relaxar.

Um relógio biológico que se apressa…

Uma agenda cheia de coisas (in)úteis.

O compasso de espera…

A pressa…

O receio da chegada…

Já tão longe da partida.

Sílvia Q. Sanches
Abril de 2016

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A Vida


É vão o amor, o ódio, ou o desdém; 
Inútil o desejo e o sentimento... 
Lançar um grande amor aos pés d'alguém 
O mesmo é que lançar flores ao vento! 

Todos somos no mundo "Pedro Sem", 
Uma alegria é feita dum tormento, 
Um riso é sempre o eco dum lamento, 
Sabe-se lá um beijo donde vem! 

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se... 
Uma saudade morta em nós renasce 
Que no mesmo momento é já perdida... 

Amar-te a vida inteira eu não podia... 
A gente esquece sempre o bem dum dia. 
Que queres, ó meu Amor, se é isto a Vida!... 

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade" 

Perdi os Meus Fantásticos Castelos

Perdi meus fantásticos castelos 
Como névoa distante que se esfuma... 
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los: 
Quebrei as minhas lanças uma a uma! 

Perdi minhas galeras entre os gelos 
Que se afundaram sobre um mar de bruma... 
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? – 
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma! 

Perdi a minha taça, o meu anel, 
A minha cota de aço, o meu corcel, 
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias... 

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas... 
Sobre o meu coração pesam montanhas... 
Olho assombrada as minhas mãos vazias... 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"