Com os pés na areia surgem duvidas, reflexões, ideias... como grãos de areia. Sobre a areia viajo para onde a imaginação me leva. De pés na areia mantenho-me de pé... Caminho à beira deste mar, medito, escrevo e partilho ideias. Assim me vou descobrindo.
sexta-feira, 20 de maio de 2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Ambiciosa
Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar...
Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar...
- Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar!
Minha alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus!
O amor dum homem? - Terra tão pisada,
Gota de chuva ao vento baloiçada...
Um homem? - Quando eu sonho o amor de um Deus!...
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Florbela Espanca, Charneca em Flor (1930)
Porto de Abrigo
sábado, 14 de maio de 2016
Mundo louco
Vivemos numa época de extremos.
Do tudo ou nada.
Somos cada vez mais independentes — e mais desligados.
A evolução tem-nos tornado assim.
Na pré-história, vivíamos em grandes grupos — um instinto primário que nos mantinha em segurança e garantia a continuidade da espécie.
Ao longo da história, fomos alterando hábitos, mudando necessidades.
Dos grandes grupos passaram a existir famílias.
Das grandes casas de família surgiram núcleos mais pequenos: casais com dois ou três filhos, casais com um filho, casais com um cão ou um gato… famílias monoparentais… ou simplesmente a opção de ficar só.
Ser só, por vezes, parece ser a escolha mais sensata.
Ainda assim, a ideia de “família” continua profundamente enraizada em cada um de nós — e na sociedade em geral.
A evolução tem-nos tornado seres cada vez mais individuais.
E, se “ninguém é de ninguém”…
para quê o sentido de posse?
Para quê o sentido de família?
Para quê carregar responsabilidades por pessoas que se tornaram tóxicas na nossa vida?
Cada um evolui por si, nas suas próprias vivências, interpretando a vida à sua maneira.
Para quê seguir grupos, líderes, normas?
Nem todos evoluíram da mesma forma, é certo.
E, por vezes, parece até que a sociedade retrocedeu.
Manifesta-se em grandes massas embriagadas de futebol, religião ou política…
influenciadas pelos media, pelo espetáculo, pelos reality shows, pelo dinheiro — e, acima de tudo, pelo poder.
O poder de alguém que pensa por si mesmo…
e que, sozinho, consegue influenciar uma sociedade ainda marcada por instintos primários.
Sílvia Q. Sanches
Maio de 2016
sexta-feira, 13 de maio de 2016
quinta-feira, 12 de maio de 2016
...ET...
Há dias em que me sinto uma autêntica extraterrestre.
Completamente fora de contexto, deslocada da realidade onde vivo.
Não me identifico com nada disto.
Vou-me adaptando.
Talvez seja esse o sentido da minha presença neste mundo.
Mas, sempre que ouço dizer que há vida noutro planeta…
fico tão feliz!
Afinal… não estou sozinha.
Sílvia Q. Sanches
Maio de 2016
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Invasões
As invasões fazem parte da história mundial.
A cultura ibérica, tão característica, é sem dúvida resultado das diversas invasões sofridas ao longo dos séculos.
Está, por isso, intrínseco em cada ibérico — em cada português — um certo sentido de invasão, sobretudo do espaço alheio.
Mas, à semelhança das grandes invasões históricas, surge inevitavelmente uma reação contrária:
o impulso de repulsa…
e, sobretudo, de evasão.
Desperta-se, então, o desejo de autonomia.
Convém ter sempre presente que a grande lição de cada invasão é simples:
“A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.”
Sílvia Q. Sanches
10 de maio de 2016
sábado, 7 de maio de 2016
Recordações
Silvia.Q.Sanches 8-01-2014
terça-feira, 3 de maio de 2016
Eutanásia
Quando se chega ao final da vida sem qualquer tipo de mobilidade, incapaz de comer pela própria mão ou de fazer uma qualquer das atividades da vida diária (AVD): levantar-se, lavar os dentes, vestir-se sozinho, etc… não há qualquer motivo para se permanecer a vegetar no leito de uma cama, literalmente a apodrecer. Todos temos direito a uma vida e morte digna.
Se a situação for irreversível para quê viver com o auxílio de máquinas?
A maioria da classe médica rege-se, essencialmente, pela saúde do doente o respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início e em não fazer uso dos conhecimentos médicos contra as leis da Humanidade, esquecendo que também que deve zelar pela dignidade do doente e acabar com a má qualidade de vida.
Desligar as máquinas que mantêm aqueles que se encontram em morte cerebral poderá provocar sofrimento, ainda que por pouco tempo e do ponto de vista religioso é considerado usurpação do direito à vida humana, afinal, todos temos direito à vida. É necessário o consentimento do interessado e por vezes isso não acontece mas desde que não haja qualquer esperança de vida, na minha opinião, deve ouvir-se o apelo do bom senso e não deixar que o capricho da ciência se sobreponha ao verdadeiro sentido da vida. Não havendo esperança de vida, a ciência deve sim, proporcionar uma morte digna e não um prolongar do sofrimento tanto do doente como de quem o rodeia.
A legislação também não ajuda, aquele que de alguma forma ajudar um doente a acabar com o seu sofrimento, poderá ser condenado por homicídio.
A eutanásia passou da simples lei do mais forte à capacidade de compreender o sofrimento alheio em que facto de ninguém ser igual a ninguém e haver diferentes formas de encarar a morte tem tornado este tema tão polémico.
Sou a favor da eutanásia desde que a condição do doente (velho, adulto ou criança), seja bem avaliada e não haja qualquer esperança de vida digna.
Sílvia Q. Sanches - Dez 2013
sábado, 30 de abril de 2016
Sou o que sou...
Sou despistada, teimosa, chata…
Umas vezes emotiva, muitas outras fria.
Difícil de aturar — nem eu me aturo.
Posso ser brusca, pouco assertiva, exigente.
Por vezes intolerante.
Impaciente.
Terei muitos outros defeitos dos quais não me recordo.
A falta de memória será mais um…
Mas, se não me aceitarem no pior do meu carácter,
seguramente não merecerão o melhor de mim.
Ao menos…
sei quem sou.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
"If I Fell"
Would you promise to be true
And help me understand
Cos I've been in love before
And I found that love was more
Than just holding hands
If I give my heart to you
I must be sure
From the very start
That you would love me more than her
If I trust in you oh please
Don't run and hide
If I love you too oh please
Don't hurt my pride like her
Cos I couldn't stand the pain
And I would be sad if our new love was in vain
So I hope you see that I
Would love to love you
And that she will cry
When she learns we are two
Cos I couldn't stand the pain
And I would be sad if our new love was in vain
So I hope you see that I
Would love to love you
And that she will cry
When she learns we are two
If I fell in love with you
Recordando o 25 de Abril
A musica do José Afonso fez parte da minha infância. Cresci a ouvir Zeca e ainda hoje me emociono quando o ouço.
