Com os pés na areia surgem duvidas, reflexões, ideias... como grãos de areia. Sobre a areia viajo para onde a imaginação me leva. De pés na areia mantenho-me de pé... Caminho à beira deste mar, medito, escrevo e partilho ideias. Assim me vou descobrindo.
terça-feira, 13 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
A ternura
Júlio Machado Vaz
"O Amor é..."
segunda-feira, 5 de julho de 2010
ALENTEJO - MORA
segunda-feira, 28 de junho de 2010
The Police-Message in a Bottle Music Video
O problema das mensagens em garrafas é que não se sabe quando nem quem as lê...
Mas envia-las faz-nos sentir mais acompanhados!...
domingo, 27 de junho de 2010
Ao Fim
que nos doem a sério e muito poucas
as que conseguem alegrar a alma.
São também muito poucas as pessoas
que tocam no nosso coração e menos
ainda as que o tocam muito tempo.
E ao fim são pouquíssimas as coisas
que em nossa vida a sério nos importam:
poder amar alguém, sermos amados
e não morrer antes dos nossos filhos.”
Amalia Bautista
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O silencio das palavras...
O Ambiente dessa amizade pura é o silêncio, mais do que a palavra.”
Marcel Proust, O Elogio da Leitura
Ao ler um texto, uma carta ou mesmo um livro não só se lê o texto com se capta nas entrelinhas a essência da mensagem. Ou há empatia entre a narrativa e o leitor ou não haverá leitura possível e sem a leitura não haverá amizade. Essa amizade pura que no silêncio da leitura encontra em cada palavra, em cada frase conforto, afecto, sintonia…
Fantasiada ou real, uma amizade com base na escrita-leitura é intemporal, haverá sempre um leitor, um amigo, alguém que simpatiza com a história sem interesse, sem necessidade de agradar. Ou se lê e se gosta nascendo daí a tal empatia ou não interessa e não se dá importância.
Ao contrário uma amizade baseada em palavras ditas, uma amizade em tempo real desvanece ao primeiro silêncio, a primeira palavra menos bem escolhida ou rebuscada que como se diz por aí: “Palavras, leva-as o vento!”
É uma amizade diferente, com outro tipo de cuidados, cheia de dedos, não querendo magoar quem interage na relação, ao contrário da intemporal que se lê e se estuda cada palavra que se modela a interpretação de cada leitor.
É no silêncio que se encontra a pureza e o verdadeiro sentido das palavras.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Mexilhões da Foz
Um dos meus tios maternos — homem muito comunicativo, dado a línguas e culturas estrangeiras — fazia amizades com uma facilidade impressionante com qualquer estrangeiro que lhe aparecesse no bar da praia, negócio da família na altura.
Eu sempre venerei este tio.
Era como que o seu porta-chaves — acompanhava-o para todo o lado (ou para onde me deixavam ir) e seguia-lhe todas as passadas.
Eu era a menina do tio.
E ele era o tio porreiraço que qualquer sobrinho gostaria de ter.
Era o maior desenrasca que conheci.
Nunca o vi atrapalhado com nada.
Tinha sempre solução para tudo —
mas nada programado.
Fazia tudo em cima do joelho…
e corria sempre bem.
Quase tudo.
Quase sempre!
O bar situava-se junto ao velho cais da praia da Foz do Arelho e, nessa altura, a água da lagoa era tão límpida que se via todo o fundo — bem como tudo o que lá estava.
Não se falava em poluição.
Nem se sabia bem o que isso era.
Os estrangeiros ficavam fascinados com a beleza bruta da Foz.
Tudo era puro.
Até o povo de lá.
(Mas adiante…)
Uma das especialidades do bar era o mexilhão aberto ao natural, acabado de apanhar.
Verdade, verdadinha!
Sempre que era pedida uma dose, ouvia-se a voz lá de dentro:
— Sai uma dose de mexilhão!!!
Lá ia o meu tio até aos pilares do cais, arrancar mais uns cachos do afamado mexilhão — fresquinho, fresquinho — que depois, pelas mãos da minha avó, cozinheira de mão cheia, se transformava num petisco capaz de fazer qualquer um fechar os olhos de prazer.
Os clientes adoravam.
E os estrangeiros, então… deliravam com toda aquela naturalidade com que tudo acontecia.
Sílvia Q. Sanches
2010
A marmelada - sabores de infância
A chegada da primavera transporta-me à minha infância.
À felicidade simples do dia a dia de uma criança.
Aos dias enormes… em que até os rebuçados tinham outro sabor.
A marmelada… então nem se fala.
Vejo a minha avó a dar-me uma moeda de vinte e cinco tostões para eu ir buscar marmelada ao Sr. Madeira — mercearia e retrosaria gerida por pai e filhos solteirões, sempre muito aprumadinhos e atenciosos.
Todo aquele ambiente…
O grande balcão.
Os armários de madeira até ao teto.
Os frascos cheios de chupa-chupas.
Os chocolates Regina na vitrina por detrás do balcão.
A máquina registadora, com tantos botões como rebuçados dentro dos frascos.
O cheiro do colorau, vendido a peso, em pequenos pacotes de papel, dobrados como rissóis.
E aqueles homens…
Autênticos autómatos silenciosos no seu trabalho.
Formigas zelosas do seu dever.
De bata castanha e postura irrepreensível.
Encostava-me ao topo do grande balcão de mármore, aguardando a minha vez, observando a azáfama daqueles três.
Lá passava o Sr. Chico — o mais novo — que, com um ar cúmplice, me piscava o olho, como quem dizia que já me tinha visto… e já sabia ao que eu vinha.
Chegada a minha vez, nem precisava de falar.
Ao ver-me fixar o olhar no tabuleiro castanho coberto de celofane, o Sr. Chico — com a mesma delicadeza com que atendia as senhoras mais velhas — pegava na espátula de madeira e cortava, com precisão quase cerimonial, um cubo daquela preciosidade.
Embrulhava-o em papel vegetal.
Pesava-o na enorme balança.
E voltava a embrulhá-lo em papel manteiga.
Os seus dedos, mestres na arte do embrulho, moviam-se com a rapidez de um mágico — como quem faz surgir uma flor de trás da orelha de alguém.
Eu levava aquele cubinho celestial…
E, mal chegava a casa da minha avó, nem esperava pela fatia de pão.
Trincava-o como se fosse um bolo.
Hummm…
Ainda hoje sinto aquele sabor.
O verdadeiro gosto dos sabores da infância —
os que nunca mais se esquecem.
"Eu sou pequenina,
Não sei fazer nada,
Sei ir à cozinha
Comer marmelada."
Sílvia Q. Sanches
2010





