(Junho de 2016)
Num dia em que o país pára em frente aos televisores de fundo verde, numa embriaguez cega e desmedida de patriotismo futebolístico, perco-me por um deserto imenso, despovoado.
Antipatriota, antinacionalista ou qualquer outro adjetivo que me queiram atribuir… anti-carneirismo, anti-social, individualista, apátrida… aqui estou eu.
Apátrida pode ser um pouco forte, mas define bem este desligar das tradições, das normas sociais e políticas. Este fugir das convenções e dos dogmas, seguindo apenas uma vontade própria.
Partir sem pátria, família ou qualquer outro tipo de âncora e ser o que quero, o que penso, o que entendo por existir.
Ovelha negra?
Talvez.
Recuso gritar golo quando todos se levantam extasiados com um qualquer remate à baliza. Desconheço regras e táticas de jogo e qualquer tipo de termo futebolístico.
Não conheço nomes e, de equipas, nem quero saber.
Demonstrações de força e poder, para mim, não passam de rituais primatas que apenas se foram moldando à “evolução”, mas cuja essência continua a mesma.
Falaria agora de tanta coisa em torno destas “batalhas campais”, capaz até de tropeçar nas minhas próprias ideias e contradizer-me…
A verdade é esta: sou do contra.
Anti-futebol.
E hoje estou sozinha nesta minha luta.
Sílvia Q. Sanches