Roque e amiga, Peter Pan e Sininho.
Os manos traquinas viveram aventuras sem fim num reino só deles.
A menina feliz com o vestido do laço, tairocas e a sua sombrinha vermelha de pega dourada — qual espada de cavaleiro, qual ceptro de rainha.
A menina dos seus pais.
A mais nova de três irmãos.
A menina.
Olho para esta fotografia e imagino-a nesse tempo: leve, sorridente, a dançar como quem acredita que o mundo inteiro cabe numa tarde de festa.
Ritinha Pataquinha.
Menina engraçadinha.
Da infância solta, feliz, desregrada e emotiva nasceu a mulher.
Uma vida de trabalho, muitas vezes sem tempo para crescer devagar.
Vieram as responsabilidades, as lutas e as conquistas de uma vida inteira.
Mas quem olha bem percebe que, algures dentro dela, a menina continua lá.
A menina que dançava.
A menina que sonhava.
E talvez seja por isso que, quando olho para esta fotografia, não vejo apenas quem ela foi.
Vejo a Ritinha Pataquinha que ainda é.

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