Não tenho sono. Ou melhor, tenho, mas o ruído dos meus pensamentos não me deixa descansar.
Estamos em guerra.
Fugimos de balas invisíveis, escondemo-nos de um inimigo sem rosto…
Sem rosto era o bebé que eu protegia, fugindo entre escombros de um bombardeamento após o 11 de setembro.
Era um sonho e eu, grávida, preocupava-me com o bebé que sentia dentro de mim, mas cujo rosto não conhecia.
Agora é real.
Sem bombas, mas explodindo as nossas vidas.
Trabalho em casa. Penso que é mais seguro… será?
Não estou tão exposta às “balas”, nem ameaço outros. Ocupo o meu tempo a trabalhar.
Um ciclo vicioso: dormir, comer, trabalhar, comer, trabalhar, comer, dormir…
Estou a ficar quadrada.
Sim, quadrada fisicamente, porque estou a comer demais, e quadrada de espírito, porque não vejo mais nada para além do trabalho e das notícias da guerra, e das consequências num futuro muito próximo.
Estar em casa é bom. É uma trincheira confortável, mas muito solitária.
Estou cansada de conversar comigo mesma e de dizer ao telefone que está tudo bem…
Não está fácil.
A guerra está a deixar marcas e ainda nem se vislumbram sinais do seu fim.
Agora penso: como será o pós-guerra?
Conseguirei dormir?
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