Há dias que passam depressa e desaparecem da memória sem deixar rasto.
Outros são os dias que ficam marcados por um simples detalhe: o som do mar, a areia quente nos pés, o silêncio raro de um fim de tarde sem pressa.
Hoje foi assim.
Último dia de férias. Enquanto os rapazes surfavam ao longe, fiquei deitada na areia ao sol, com o som do mar como banda sonora. Sem horários, sem obrigações. Apenas o calor dos raios de sol na pele e aquele instante em que o tempo fica suspenso.
Durante anos procurei a perfeição em lugares longínquos. Em viagens, em experiências extraordinárias, em respostas que julgava encontrar sempre mais adiante. Hoje, deitada na areia, a ouvir o mar e a sentir o sol na pele, percebi que o ideal estava muito mais perto do que imaginava.
Curiosamente, aconteceu-me algo semelhante com as ideias. Neste último semestre tenho resistido ao Sociólogo Pereirinha, cujos textos me têm sido apresentados quase por imposição. Tenho lido com alguma relutância. Mas o tempo tem uma forma peculiar de limar resistências. Aos poucos, tenho descoberto que muitos dos caminhos por onde os meus pensamentos têm andado não são assim tão diferentes dos dele.
Tal como a felicidade não estava nos lugares distantes que imaginava, também algumas respostas não estavam em teorias estranhas à minha forma de ver o mundo. Estavam ali, diante dos meus olhos, à espera que eu deixasse de procurar divergências para começar a reconhecer afinidades.
Na verdade, crescer é isto: perceber que nem sempre encontramos o que procuramos em novos lugares. É, muitas vezes, limitarmo-nos a reconhecer, finalmente, aquilo que já está connosco desde o início.
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