Desde que saiu a nova lei sobre os direitos dos animais, reconhecendo-os como seres dotados de sensibilidade — primeiro no seio das famílias e, mais recentemente, na proibição da exposição dos mesmos nas montras de lojas de animais e na sua venda na Internet — tenho-me debatido com ideias algo contraditórias em mim mesma.
Eu gosto de animais. Até à adolescência tive sempre cães. Tratava deles, mantinha-lhes a dignidade e a higiene canina, mas cada um no seu lugar: animais no quintal, pessoas em casa.
Tinham ordem de entrar em casa, mas na hora de recolher, cada um para o seu lugar: eles para as suas casotas, nós para os nossos quartos. Não vejo nada de errado nisso.
Agora assiste-se a exageros, como os animais terem quase mais direitos do que os humanos.
No entanto, com tanta mudança — tanto para o bem dos bichos como para negócio de outros — não vejo alterações no que é mais importante.
Continua-se a levar os “filhos adotivos” à rua para fazerem as suas necessidades.
Ou seja, com tanto modernismo e tantos cuidados, ainda não se inventou forma de os nossos amigos peludos aprenderem a “cagar” em casa?
É que eu já imagino um casal com um “filho humano” a passeá-lo pela trela e a deixar a sua “poia” num qualquer terreno relvado ou numa praça com repuxos… e aparecer um pai a reclamar que estão a sujar o espaço onde o seu “filho canino” brinca.
Caricato, não?