Ao ler o título “Ame sem possuir, acompanhe sem invadir e viva sem depender”, fico com vontade de divagar sobre o tema.
Essa é, de facto, a minha filosofia de vida, até porque defendo a liberdade individual e social.
Defendo a liberdade, mas fico triste com os excessos, com a libertinagem. A nossa liberdade acaba onde começa a dos outros e cabe a cada um de nós zelar pelo bem de todos — nós incluídos.
Por isso, quer queiramos quer não, dependemos uns dos outros e da atitude de cada um. Se falharmos, não só falhamos connosco como com todos os que, direta ou indiretamente, dependem das nossas ações.
Não posso possuir, nem quero. Mas invadem-me quando sou obrigada a aceitar realidades alheias, viver suspensa e depender de ações completamente fora das minhas expectativas.
Isso suga-me a energia e a capacidade de sonhar.
Na realidade, “o que nos f… são as expectativas”. O ideal será viver o dia a dia da melhor forma possível.
“Vive cada dia como se fosse o último.”
Mas nem isso posso.
Tenho de trabalhar para sobreviver. Não tenho tempo de viver nem de sonhar, nem tenho liberdade para viver.
Sou escrava do sistema, da sociedade, das expectativas — minhas e dos outros.
Desiludo-me a cada dia. Dependo do meu trabalho, do dinheiro, da minha saúde e dos outros, das minhas escolhas e das atitudes de todos.
Sinto-me presa num estado livre.
Com asas e sem voar.