domingo, 30 de maio de 2021

O que não digo

Podia dizer que sinto muito, mas não digo.

Não digo porque não sinto.
Nem nunca senti.

Contra todas as minhas convicções, cheguei até a desejar que fosse mais cedo.

Ainda bem que não foi.

Há decisões que devem ser tomadas
para alívio dos outros.

A vida nem sempre é o que se deseja,
nem o que se pode ter.

Se não acontece,

é porque não tem de acontecer. 




domingo, 21 de fevereiro de 2021

O amor e uma cabana...

“O amor e uma cabana…”
E eu penso ironicamente: se for num chalé de montanha, com muita luz natural e uma lareira acesa!…

É bom ganhar dinheiro para ter esses bens, mas saber usufruir dos pequenos momentos da vida é muito mais importante do que ter bens ou poder.

🎼 “Era uma casa muito engraçada,
não tinha teto, não tinha nada…”
🎶

Em criança tentava imaginar a casa desta música. Na ingenuidade de uma criança, uma casa sem teto seria talvez uma barraquinha de brincar.

Ao crescer fui entendendo melhor o significado da mensagem.

Mesmo sem teto, sem nada, podemos encontrar a graça da vida.

Afinal, não somos o que temos nem o que vestimos.

Nós somos a nossa casa.

Nascemos sem nada e desta vida só levamos o que vivemos; o que se compra ou constrói fica cá.

Então, se temos de construir, que sejam boas relações com os outros. E, se temos de comprar, que seja apenas o essencial para viver — logicamente, com conforto.

🎼 “Felicidade é uma cidade pequenina,
é uma casinha, é uma colina,
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar…”
🎶

Tudo simples quando se leva a vida com leveza



Contágio do bem

A vida é deixar de sofrer pelos fins e focarmo-nos nos recomeços.

Quando penso nisto, lembro-me de que o propósito de viver é mesmo seguir em frente — olhar para trás apenas pelo espelho.

Seguir em frente é continuar a projetar, é evoluir, é fortalecer a vontade de viver.

Ao seguir esta filosofia, porque a vida não anda para trás mas sim para a frente, não só somos mais felizes como contagiamos quem nos rodeia.

Ser feliz, livre, leve — é o melhor dos “vírus”.

Vamos contagiar o mundo!


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Vivendo

Com o passar dos anos conhecemos vários tipos de pessoas, cada uma com a sua personalidade, mas nenhuma é menos importante que a outra.

Todos nos deixam alguma coisa e não partem sem levar também um pouco de nós.

Pela minha vida têm passado pessoas que me transformam, para o bem e para o mal.

Outros, poucos, são e serão a minha vida.

Com eles vou — não importa para onde — desde que seja rumo à felicidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Fechar portas, abrindo janelas...

Fui deixando tudo para trás.

Tudo o que corroía.
Tudo o que não construía pontes, passagens, verdades e sonhos.

Tudo aquilo de que eu precisava despir-me.

Meias verdades.
Meias palavras.
Meias pessoas.

Aprendi que as metades devem ser deixadas ir embora.

Deixei para trás todas as culpas e abracei o que me foi colocado no caminho.

Assim me encontro, me reinvento, me encanto, recomeço
e me amo — agora e sempre.


sábado, 23 de janeiro de 2021

Escrevendo a vida.

Viver é como escrever.

Escrever as linhas da vida sem borracha, sem “delete”.

Usar palavras simples, mas com sentido.

Na escrita, como na vida, a simplicidade é o ideal.

Nem sempre sei quando usar a vírgula ou o ponto final.

Pontuar é necessário. Devemos marcar as pausas, os momentos de reflexão, respirar, analisar…

Necessito, tal como nas palavras, de sinalizar sentimentos.

Sentir a vida de uma forma simples: abraços que envolvem, silêncios que respeitam, alegrias que contagiam, olhares que acariciam…

Complicar para quê?

O que se procura é aliviar o peso das obrigações, fazer levitar a alma, abrir asas e voar.

Grandes momentos surgem em pequenas coisas — e perduram.

Saber captar dos momentos o que realmente merece ser vivido, aprimorando a arte de saber viver.

Há textos grandes, outros mais curtos, outros que se começam e nunca se terminam.

Com frases e palavras mais ou menos complexas, as histórias vão seguindo o seu rumo no sentido que se quer, na constante busca da felicidade.

A vida dura o que dura. Para uns é eterna, para outros demasiado curta.

Mas o que se leva é a intensidade dos momentos — e é nisso que nos devemos focar.

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Caminhos

Nos caminhos da vida:

“Só tu sabes o peso da tua mochila.
Só tu sabes os desafios que enfrentas todos os dias.
Só tu sabes como é duro caminhar com as saudades ao peito.
Só tu sabes o que faz ou não sentido, o que queres ou não, o que importa ou não.

Só tu sabes…

Não deixes que ninguém decida por ti.
Não tentes agradar a todos.
Não tenhas medo de fechar uma porta e de abrir outra.
Não fiques onde não há espaço para seres quem és.

Lembra-te: a vida é muito breve para seres infeliz.
Por favor, não te habitues a isso.”

(Autor desconhecido — texto retirado da internet)

Seguir em frente é a solução.


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Essência

Sou uma omnívora inveterada. Por muito que tente, não sei ser de outra maneira.

Bem tento fazer comida vegetariana, fugir da carne, das “cenas” de origem animal, mas é difícil. Está entranhado em mim.

Gosto de comer o que me agrada à vista, ao olfato e ao paladar. Não sigo fundamentalismos.

Afinal, desde a origem que o ser humano, para sobreviver, comia o que apanhava ou caçava. Logo, é isso que faço.

Não concordo com a produção em massa e com a matança desenfreada, mas também sei que, para quem vive em sociedade, é o que é possível.

Já não somos nómadas, nem caçamos para comer.

Comer apenas produtos de origem vegetal, no fundo, vai parar ao mesmo. Também se produz em massa e continuam a existir excedentes que só não são aproveitados e distribuídos pela população mais carenciada porque as políticas não o permitem.

Tem sempre de haver uma população dominante.

É a lei do mais forte em tudo.

Sou omnívora, sim.

Não consigo viver sem os derivados do leite, sem os ovos, sem as frutas, sem os legumes, sem os peixes.

Posso viver sem carne a maior parte do tempo, mas há sempre uma altura em que o corpo pede. Faz parte da nossa essência.

Comer de tudo, sem exagero, sem gula, sem ganância, sem preconceitos ou fundamentalismos.

Saber gerir, como em tudo na vida.

Equilíbrio.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Rita pataquinha

Roque e amiga, Peter Pan e Sininho.
Os manos traquinas viveram aventuras sem fim num reino só deles.

A menina feliz com o vestido do laço, tairocas e a sua sombrinha vermelha de pega dourada — qual espada de cavaleiro, qual ceptro de rainha.

A menina dos seus pais.
A mais nova de três irmãos.
A menina.

Olho para esta fotografia e imagino-a nesse tempo: leve, sorridente, a dançar como quem acredita que o mundo inteiro cabe numa tarde de festa.

Ritinha Pataquinha.
Menina engraçadinha.

Da infância solta, feliz, desregrada e emotiva nasceu a mulher.
Uma vida de trabalho, muitas vezes sem tempo para crescer devagar.

Vieram as responsabilidades, as lutas e as conquistas de uma vida inteira.

Mas quem olha bem percebe que, algures dentro dela, a menina continua lá.

A menina que dançava.
A menina que sonhava.

E talvez seja por isso que, quando olho para esta fotografia, não vejo apenas quem ela foi.

Vejo a Ritinha Pataquinha que ainda é.


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Asas cortadas

Ao ler o título “Ame sem possuir, acompanhe sem invadir e viva sem depender”, fico com vontade de divagar sobre o tema.

Essa é, de facto, a minha filosofia de vida, até porque defendo a liberdade individual e social.

Defendo a liberdade, mas fico triste com os excessos, com a libertinagem. A nossa liberdade acaba onde começa a dos outros e cabe a cada um de nós zelar pelo bem de todos — nós incluídos.

Por isso, quer queiramos quer não, dependemos uns dos outros e da atitude de cada um. Se falharmos, não só falhamos connosco como com todos os que, direta ou indiretamente, dependem das nossas ações.

Não posso possuir, nem quero. Mas invadem-me quando sou obrigada a aceitar realidades alheias, viver suspensa e depender de ações completamente fora das minhas expectativas.

Isso suga-me a energia e a capacidade de sonhar.

Na realidade, “o que nos f… são as expectativas”. O ideal será viver o dia a dia da melhor forma possível.

“Vive cada dia como se fosse o último.”
Mas nem isso posso.

Tenho de trabalhar para sobreviver. Não tenho tempo de viver nem de sonhar, nem tenho liberdade para viver.

Sou escrava do sistema, da sociedade, das expectativas — minhas e dos outros.

Desiludo-me a cada dia. Dependo do meu trabalho, do dinheiro, da minha saúde e dos outros, das minhas escolhas e das atitudes de todos.

Sinto-me presa num estado livre.

Com asas e sem voar.









sábado, 6 de junho de 2020

Sempre dezoito

Número dezoito, tão desejado antes da maioridade e tão saudado quando duplicado.

O meu número, sem dúvida.

Muitos acontecimentos tropeçaram neste número.

A avó materna nasceu a 18 de abril, e foi num dos seus aniversários que o seu filho resgatou o bem mais precioso da menina a quem chamo mãe.

Como presente de aniversário, anos mais tarde, a neta deixou de ser menina e passou a cumprir com o pagamento da dívida mensal da “mãe Eva”. E, com dezoito, perde a pureza.

Dezoito para encontros e desencontros: idades, dias, aniversários, datas, anos…

2018, ano do Caminho, passando por um dia 18, redirecionando ideias, posições, a vida…

O “dezoito” que continuará sempre presente, marcando cada passagem, cada projeto de vida — sem ser esperado, mas inevitavelmente presente.