quinta-feira, 16 de junho de 2016

Palhaços

Adoro Carnaval! Sempre adorei. Vivo o ano inteiro a projectar fantasias de Carnaval, tudo que vejo fora do comum digo logo que pode ser uma ideia boa para uma mascara. Enfim cada maluco sua mania, eu vivo a tara do Carnaval, a quem tenha taras piores!
Já vivi imensas personagens, (sim vivi, porque eu quando me mascaro é a valer, encarno o personagem que estou a vestir), mas a personagem que me diverte mais e com que me sinto à vontade é o palhaço. Já representei vários palhaços, ricos, pobres, tristes, trapalhões, criativos, fantasiosos, só de palhaço tenho uns quantos fatos.
Eu vibro com toda a fantasia do Carnaval e quem me conhece sabe bem do que estou a falar, acho que volto a ser uma menina vivo esses 3 dias e 4 noites em autentica euforia, fico doente se não posso aproveitar esses momentos.
Mas os palhaços...
De palhaço sinto-me livre, digo o que me apetece e ninguém leva a mal, até acham piada! Eu brinco, danço, rio e não sei, mas parece que acordo toda a alegria que existe dentro de mim, mas com o fato vestido e a cara pintada! É que palhaços somos todos, uns mais que outros e também há quem queira fazer de nós palhaços mas isso dispenso. Só sou palhaça quando me apetece e para me divertir, os palhaços do circo é que se vestem para divertir os outros, às vezes sabe-se lá com que vontade, coitados. E o público diverte-se muito, fica muito bem-disposto mas depois vai-se embora e o palhaço fica ali, sozinho. O público até pode voltar porque gostou do espectáculo, pode até ter saudades do que viu, mas não sabe nada do palhaço. Se está feliz, se triste, como vive ou se sente. Ele é que tem de preocupar-se em divertir os outros mas ninguém pensa em diverti-lo a ele.
É triste ser-se palhaço! Especialmente no circo da vida! No Carnaval é-se palhaço porque se quer, e isso é bom! Eu adoro!
Não me queiram é fazer de palhaça!

Sílvia Q. Sanches - Janeiro 2010