quinta-feira, 23 de junho de 2016

Soneto da Lua





Por que tens, por que tens olhos escuros

E mãos lânguidas, loucas, e sem fim

Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim

Impuro, como o bem que está nos puros ?



Que paixão fez-te os lábios tão maduros

Num rosto como o teu criança assim

Quem te criou tão boa para o ruim

E tão fatal para os meus versos duros?



Fugaz, com que direito tens-me pressa

A alma, que por ti soluça nua

E não és Tatiana e nem Teresa:



E és tão pouco a mulher que anda na rua

Vagabunda, patética e indefesa

Ó minha branca e pequenina lua!



Vinicius de Moraes