segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A vida depois dos 40


Chegam os 40, e se há a quem nada acontece e segue a sua vida, abastada, ou não, também há quem não se acomode à idade e continue a lutar como se tivesse 20 ou mesmo 30 anos. 
Já estou à 2 anos no clube dos 40 e na verdade já sinto diferença. Não na vontade de viver, nem na capacidade de sonhar. Na capacidade de trabalho, sinto-me mais capaz até do que noutros períodos da minha vida. Estou mais responsável, mais experiente e com muita vontade de lutar por aquilo que acredito. Mas o "crachá" deste clube, por muito mérito que me traga, tem-me vedado a entrada em muitas oportunidades de emprego.
Mesmo sem nos conhecerem, só o facto apresentar a idade, fecham de imediato as portas e a oportunidade de poder mostrar o que se vale.
Dou comigo a pensar que afinal, quem faz a selecção das propostas de emprego são jovens, talvez com menos de 35 ou mesmo 30 anos, saídos das universidades à meia dúzia de anos, com uma carreira promissora, proporcionada pelo esforço dos seus pais que lhes pagaram os cursos e pós graduações. Inchados da vaidade e cegos pela tecnologia, esquecem que existem pessoas que não frequentaram as faculdades, mas a vida e a vontade de aprender, mesmo já "fora  de tempo", que nunca é tarde para aprender, podem ser tão ou mais valiosas para trabalhar. 
Entendo que o choque de gerações tenha algum peso. Mas as gerações completam-se, e não é só nos livros que se aprende a valorizar os outros e o seu trabalho. Conhecer os mais velhos, ouvi-los, valoriza-los e ter em conta os seus exemplos de vida. Sinto que é isso que falta em Portugal, neste momento.
Se somos um país  com tendência ao envelhecimento da população, dever-se-ia cultivar mais o respeito pelos mais velhos, dar oportunidade a quem tem capacidade e quer trabalhar. 
Não é isso que eu vejo nem sinto. 
Vejo valorizar os jovens recém licenciados, e muito bem. 
Vejo o cuidado para com os reformados que afinal, são os nossos alicerces, é justo.
Mas sinto-me num grupo à margem, que se não tem trabalho, é velho para trabalhar naquilo que quer, e é novo demais para se sentar num cadeirão à espera do que por aí vem. 
Se tenta melhorar a formação académica, é quase um motivo de chacota, tanto por parte dos mais novos a quem ajudou a formar como contribuinte, quanto por parte os da sua idade com o seu emprego "seguro" e os seus "canudos" bafientos. Resta-lhe concorrer com aqueles que por um motivo ou outro nunca tiveram interesse em saber mais do que ir trabalhar todos os dias nas mais elementares tarefas, e que com todo o mérito, porque são tão sábios quanto todos os outros, foram quem manteve o contributo mal gerido pelos que saíram de institutos e universidades. 
Não se é nem indiferenciado, nem se é aceite como um profissional de uma qualquer profissão.
Não consigo vislumbrar a tão apregoada ternura dos 40.