domingo, 19 de março de 2017

Tolerância Quase a Zero

Estou a atingir uma idade em que o depósito de tolerância começa a entrar na reserva. Como terei de guardar essa reserva para situações mesmo importantes, terei de fazer uma melhor gestão das pessoas e situações que me desgastem sem razão. Gradualmente tenho sido mais exigente ao ponto de me fazer rodear apenas de quem me acrescenta alguma coisa de positivo.
O meu crescimento pessoal, depende acima de tudo das boas relações temperadas de positivismo e espírito de entreajuda. Afinal as relações humanas,  longe de serem um “toma lá, dá cá”, vão além de qualquer bem material.
A sociedade cada vez mais complexa rege-se muitas vezes nos interesses pessoais cada vez mais individualistas. A competitividade e a ânsia de poder, tomaram conta do dia a dia de todos nós.
Há quem tente controlar o companheiro por medo de o perder, pais que super protegem os filhos, amigos que dominam amigos com medo da solidão...
Nas relações interpessoais pesa sempre uma dose de egoísmo do qual somos conscientes mas que vamos suportando.
Contudo, tenho aprendido a construir relações positivas e a dar valor ao que realmente tem importância.
Não se trata somente de me afastar de todos aqueles “que não nos acrescentam nada”. A vida real não é como nas redes sociais, não se pode pura e simplesmente “eliminar amigos”.
Também não posso apagar do meu dia a dia alguns familiares, ou colegas de trabalho negativos, derrotistas ou críticos, ou mesmo alguém  que tenha de encarar diariamente.
Simplesmente, não lhes dou a importância que merecem ou julgam merecer. Evito que me afectem emocionalmente, fazendo uso de uma certa dose de assertividade (nem sempre a desejável).
Às personalidades mesmo tóxicas, o melhor remédio é não lhes dar poder. Nada como marcar limites e definir bem as regras de forma a não entrar em stress por antecipação. Não é fácil, mas é possível!
Nem sempre é possível controlar quem entra ou sai das nossa vidas, mas temos de ter a capacidade e a responsabilidade de decidir quem se mantém no nosso coração.
Regras básicas para manter os níveis de tolerância:

  •  Manter relações saudáveis
Fala-se muito da importância de “evitar apegos“. Na verdade, a essência está em saber diferenciar os apegos que nos provocam sofrimento, dos apegos saudáveis, onde se constroem os vínculos de crescimento.
– Nada como favorecer apegos apoiados na confiança e não na ansiedade e no medo de sermos abandonados ou traídos. É vital que exista uma harmonia apoiada na maturidade e no respeito mútuo.
  •  Saber satisfazer as necessidades básicas
Seria como colocar uma venda nos olhos negar que todos temos necessidades. A importância de alguém nas nossas vidas, quer queiramos ou não, depende do adequado intercâmbio de ganhos pessoais.
– Um respeito mútuo e a segurança de que não vamos ser julgados ou rejeitados por exprimir o que pensamos.
– Partilha de afecto: a sensação de cumplicidade que desfrutamos com nossas amizades, o carinho altruísta dos nossos companheiros… demonstrar afecto de forma livre e espontânea.
Bases que enriquecem qualquer tipo de relação positiva.
  • Resolução de problemas
Quando se tem um problema, há sempre alguém que ao invés de contribuir com estratégias, ou simplesmente colocar-se no nosso lugar, nos recrimina pelos detalhes mais sórdidos.
São essas pessoas que, longe de ajudar, nos afundam  ainda mais.
Tentar manter a distância nestes casos, e escolher bem a quem pedir auxilio nesses momentos.
As relações positivas têm como base a harmonia interna onde os problemas, longe de ser obstáculos, são oportunidades pessoais de oferecer ajuda, aprender e fortalecer ainda mais os nossos vínculos.
  • As relações positivas toleram os erros
Se alguém próximo não aceita o facto de que tenhamos cometido certos erros, não será uma relação saudável, nem emocionalmente segura.
-Eliminar as relações onde não cabem erros, onde não se concede a oportunidade de ser melhor.
Todos nós nos enganamos, erramos, assumimos falhas e seguimos no sentido do crescimento pessoal.
Todos aqueles que gostam de nós como nós somos, com mais defeitos ou virtudes, manias e grandezas, são pessoas que contribuem com o que eu considero de positivo para uma vida feliz e equilibrada.

É de gente bonita, positiva e espontânea que quero estar rodeada, os restantes fiquem nos seus lugares e não se metam na minha vida, obrigada!

Sílvia Q. Sanches - Março 2017